
QUINTA-FEIRA, Dia 03
09:00hs - Minha familia chegam à Brasilia. Mãe, irmã mais nova, cunhado, sobrinho e minha irmã mais velha, Silvia, com sua filhinha Suellen Beatriz, a Bia, de apenas 03 meses. Há cerca de uma semana a menina vinha ficando inquieta, chorava muito e ao chegar em minha casa começou a apresentar diarréia.
14:00hs - Meu irmão levam-nas para sua casa em Luziania-GO.
15:30hs - A menina piora, chora muito e por insistência de minha cunhada, que é enfermeira, decidem levá-la para o Hospital de Luziânia-GO.
20:00hs - Os médicos decidem remover a Bia para o Hospital Regional do Gama-DF pois acreditam que não se trata de um caso simples de diarréia e pelo fato da menina apresentar sinais de anemia. É colocada no soro.
22:00hs - Depois de vários exames os médicos do Gama não conseguem identificar o problema. A menina não defeca e nem urina, então acreditam que ela estaria com alguma infecção intestinal. Recebe remédios e tratamentos para combater a enfermidade e é alimentada por soro.
SEXTA-FEIRA, Dia 04
Dia 04 - 08:00hs - Bia continua a não apresentar melhoras. É levada para uma nova bateria de exames que descobre que algo está impedindo a passagem das fezes e urina.
16:00hs - Os exames não revelam nenhuma anormalidade o que intrigam os médicos. Continua tomar medicamentos para infecção intestinal e soro.
21:00hs - Começa o casamento de meu irmão, mas minha irmã Silvia e Bia estão no hospital.
SÁBADO, Dia 05
17:00hs - Uma médica assume o plantão e decide rever os resultados do exame. Intrigada desconfia não se trarar de uma infecção intestinal, mas de uma apendicite, o que seria um caso raro e grave por se tratar de um recém nascido. Decide transferir Bia para o Hospital Infantil de Brasilia por acreditar que haveria necessidade de intervenção cirúrgica.
20:00hs - Novos exames não detectam nenhuma anormalidade e nem a presença de um apendicite. Os médicos decidem fazer uma cirurgia de emergência. Minha irmã se identifica como Testemunha de Jeová e solicita que seja aplicado um expansor de plasma no lugar da transfusão de sangue. Começa a batalha pois os médicos rispidamente dizem que "farão o que for possivel para que a menina sobreviva". Oriento a minha irmã por telefone a questionar sobre a taxa de hemoglobina e a necessidade da aplicação do sangue, mas os enfermeiros desconversam, justificando que ela está anemica e por isso precisa do sangue e que o hospital não dispoe dos remédios expansores do sangue.
20:10hs - Ligo para um dos anciãos, que por sua vez acionam um membro da COLIH, porém o mesmo está em reunião e não pode atender no momento.
20:30hs - Dois enfermeiros e o médico descem para "conversar" com minha irmã. Apelando para os mesmos clichês tentam persuadi-la sobre o uso do sangue. Perguntam se ela vai deixar a filha morrer, criticam a nossa fé e acentuam mais uma vez que aplicarão sangue se for necessário. Minha irmã entra em desespero, nervosa, grita com os médicos. Minha mãe consegue burlar a segurança, entra no quarto, entra na discussão, mas o médico e enfermeiro continuam irredutíveis.
20:40hs - Ligamos mais uma vez para o ancião, que por sua vez liga para o membro da COLIH, que ainda estava em reunião.
21:00hs - Minha mãe é "convidada" a sair do quarto do hospital.
21:17hs - O diretor desce para falar com minha irmã, tranquiliza-a dizendo que discutirá com os médicos a questão do sangue. De longe, minha irmã vê os médicos gesticulando revoltados como se não aceitasse fazer a cirurgia sem que a menina estivesse com uma taxa aceitável de hemoglobina. O diretor retorna, conversa com minha irmã, explica os riscos envolvidos e pede uma autorização informal de fazer a cirurgia sem a aplicação da transfusão de sangue antes. Minha irmã diz que tem toda certeza de que tudo ocorrerá bem porque é Jeová o nosso Deus e ele vai estar acompanhando os médicos durante a cirurgia. O diretor lamenta mas diz que fará de tudo para que não seja aplicado o sangue, mas se os médicos decidirem, infelizmente nada poderá fazer pois para "o hospital a saúde da criança vem em primeiro lugar".
22:00hs, aproximadamente - Começa a cirurgia.
22:30hs ...
23:20hs ...
23:40hs ...
DOMINGO, Dia 06.
00:10hs - Termina a cirurgia, Bia é levada ao quarto "acordando" da anestesia e enquanto isso a Enfermeira-Chefe com um sorriso no rosto diz para minha irmã que a cirurgia foi um sucesso e que não houve a necessidade de aplicação de sangue apesar do quadro de anemia. Bia tinha parte do intestino necrosado, cerca de 10cm, que fora extirpado na cirurgia. Mas Bia continuava anêmica e a ameaça da transfusão ainda era constante.
08:00hs - Bia é levada para exames, continua anêmica e a enfermeira diz que talvez será necessário a aplicação de sangue. Minha irmã dessa vez mais calma conversa com os médicos que decidem aguardar mais um pouco e ver se a taxa de hemoglobina aumenta.
16:00hs - Entro em contato com um ancião que por sua vez contata o mebro da COLIH. Desta vez ele liga para minha irmã e informa que na segunda-feira estará indo falar com os médicos.
SEGUNDA, Dia 07
14:00hs - Dois anciãos, membros da COLIH conversam com a equipe médica, falam dos tratamentos alternativos e dos expansores de plasma. O Hospital informa que não possui nenhum dos medicamentos relacionados e a COLIH doa os medicamento EPO para o tratamento de Bia. O hospital diz que o estado da menina é estável, com alguma melhora, e aceita utilizar o tratamento alternativo.
20:00hs - Bia começa a apresentar sinais de melhora e fortalecimento. Ainda está no soro e utilza sonda, mas a cor verde roxo começa a dar vez ao tom rosado.
TERÇA, Dia 08
15:00hs - Os médicos retiram a sonda de Bia. O Hospital Infantil de Brasilia faz o pedido ao GDF do medicamento EPO.
20:00hs - Os médicos retiram o soro e Bia começa a beber 100ml de suco de laranja a cada 4 horas.
QUARTA, Dia 09
10:27hs - Bia mama pela primeira vez depois de uma semana e quatro dias depois da cirurgia.
16:30hs - Recebe a visita do tio André, agitada, alegre, firme e forte. Consegue até sorrir.