quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A luta e vida de Bia



QUINTA-FEIRA, Dia 03


09:00hs - Minha familia chegam à Brasilia. Mãe, irmã mais nova, cunhado, sobrinho e minha irmã mais velha, Silvia, com sua filhinha Suellen Beatriz, a Bia, de apenas 03 meses. Há cerca de uma semana a menina vinha ficando inquieta, chorava muito e ao chegar em minha casa começou a apresentar diarréia.

14:00hs - Meu irmão levam-nas para sua casa em Luziania-GO.

15:30hs - A menina piora, chora muito e por insistência de minha cunhada, que é enfermeira, decidem levá-la para o Hospital de Luziânia-GO.

20:00hs - Os médicos decidem remover a Bia para o Hospital Regional do Gama-DF pois acreditam que não se trata de um caso simples de diarréia e pelo fato da menina apresentar sinais de anemia. É colocada no soro.

22:00hs - Depois de vários exames os médicos do Gama não conseguem identificar o problema. A menina não defeca e nem urina, então acreditam que ela estaria com alguma infecção intestinal. Recebe remédios e tratamentos para combater a enfermidade e é alimentada por soro.

SEXTA-FEIRA, Dia 04

Dia 04 - 08:00hs - Bia continua a não apresentar melhoras. É levada para uma nova bateria de exames que descobre que algo está impedindo a passagem das fezes e urina.

16:00hs - Os exames não revelam nenhuma anormalidade o que intrigam os médicos. Continua tomar medicamentos para infecção intestinal e soro.

21:00hs - Começa o casamento de meu irmão, mas minha irmã Silvia e Bia estão no hospital.

SÁBADO, Dia 05

17:00hs - Uma médica assume o plantão e decide rever os resultados do exame. Intrigada desconfia não se trarar de uma infecção intestinal, mas de uma apendicite, o que seria um caso raro e grave por se tratar de um recém nascido. Decide transferir Bia para o Hospital Infantil de Brasilia por acreditar que haveria necessidade de intervenção cirúrgica.

20:00hs - Novos exames não detectam nenhuma anormalidade e nem a presença de um apendicite. Os médicos decidem fazer uma cirurgia de emergência. Minha irmã se identifica como Testemunha de Jeová e solicita que seja aplicado um expansor de plasma no lugar da transfusão de sangue. Começa a batalha pois os médicos rispidamente dizem que "farão o que for possivel para que a menina sobreviva". Oriento a minha irmã por telefone a questionar sobre a taxa de hemoglobina e a necessidade da aplicação do sangue, mas os enfermeiros desconversam, justificando que ela está anemica e por isso precisa do sangue e que o hospital não dispoe dos remédios expansores do sangue.

20:10hs - Ligo para um dos anciãos, que por sua vez acionam um membro da COLIH, porém o mesmo está em reunião e não pode atender no momento.

20:30hs - Dois enfermeiros e o médico descem para "conversar" com minha irmã. Apelando para os mesmos clichês tentam persuadi-la sobre o uso do sangue. Perguntam se ela vai deixar a filha morrer, criticam a nossa fé e acentuam mais uma vez que aplicarão sangue se for necessário. Minha irmã entra em desespero, nervosa, grita com os médicos. Minha mãe consegue burlar a segurança, entra no quarto, entra na discussão, mas o médico e enfermeiro continuam irredutíveis.

20:40hs - Ligamos mais uma vez para o ancião, que por sua vez liga para o membro da COLIH, que ainda estava em reunião.

21:00hs - Minha mãe é "convidada" a sair do quarto do hospital.

21:17hs - O diretor desce para falar com minha irmã, tranquiliza-a dizendo que discutirá com os médicos a questão do sangue. De longe, minha irmã vê os médicos gesticulando revoltados como se não aceitasse fazer a cirurgia sem que a menina estivesse com uma taxa aceitável de hemoglobina. O diretor retorna, conversa com minha irmã, explica os riscos envolvidos e pede uma autorização informal de fazer a cirurgia sem a aplicação da transfusão de sangue antes. Minha irmã diz que tem toda certeza de que tudo ocorrerá bem porque é Jeová o nosso Deus e ele vai estar acompanhando os médicos durante a cirurgia. O diretor lamenta mas diz que fará de tudo para que não seja aplicado o sangue, mas se os médicos decidirem, infelizmente nada poderá fazer pois para "o hospital a saúde da criança vem em primeiro lugar".

22:00hs, aproximadamente - Começa a cirurgia.

22:30hs ...

23:20hs ...

23:40hs ...

DOMINGO, Dia 06.

00:10hs - Termina a cirurgia, Bia é levada ao quarto "acordando" da anestesia e enquanto isso a Enfermeira-Chefe com um sorriso no rosto diz para minha irmã que a cirurgia foi um sucesso e que não houve a necessidade de aplicação de sangue apesar do quadro de anemia. Bia tinha parte do intestino necrosado, cerca de 10cm, que fora extirpado na cirurgia. Mas Bia continuava anêmica e a ameaça da transfusão ainda era constante.

08:00hs - Bia é levada para exames, continua anêmica e a enfermeira diz que talvez será necessário a aplicação de sangue. Minha irmã dessa vez mais calma conversa com os médicos que decidem aguardar mais um pouco e ver se a taxa de hemoglobina aumenta.

16:00hs - Entro em contato com um ancião que por sua vez contata o mebro da COLIH. Desta vez ele liga para minha irmã e informa que na segunda-feira estará indo falar com os médicos.


SEGUNDA, Dia 07

14:00hs - Dois anciãos, membros da COLIH conversam com a equipe médica, falam dos tratamentos alternativos e dos expansores de plasma. O Hospital informa que não possui nenhum dos medicamentos relacionados e a COLIH doa os medicamento EPO para o tratamento de Bia. O hospital diz que o estado da menina é estável, com alguma melhora, e aceita utilizar o tratamento alternativo.

20:00hs - Bia começa a apresentar sinais de melhora e fortalecimento. Ainda está no soro e utilza sonda, mas a cor verde roxo começa a dar vez ao tom rosado.


TERÇA, Dia 08

15:00hs - Os médicos retiram a sonda de Bia. O Hospital Infantil de Brasilia faz o pedido ao GDF do medicamento EPO.

20:00hs - Os médicos retiram o soro e Bia começa a beber 100ml de suco de laranja a cada 4 horas.

QUARTA, Dia 09

10:27hs - Bia mama pela primeira vez depois de uma semana e quatro dias depois da cirurgia.

16:30hs - Recebe a visita do tio André, agitada, alegre, firme e forte. Consegue até sorrir.

12 comentários:

  1. Obrigada por compartilhar o ocorrido. É importante termos informações para sabermos como agir nessas horas e graças a Jeová que a Bia está bem.
    Que sufoco hein.

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  2. BIO - Em 1985, eu tinha 15 anos.Meu avô diabético esconde uma ferida no dedo midinho do pé.Essa feridas após um tempo grangrenou,deixando-o muito doente e febril.Sendo levando a hospital foi detestado que seria necessário amputar o pé.Começa a batalha pra obriga-lo aceitar o sangue.Seus 6 filhos são chamados e se explica a situação.Os mesmo deixam claro que meu avô é quem decide.Seu pé piora tornando agora necessário amputar na canela. Semanas se seguem de brigas entre ele e os medicos.Mais uma vez devido a demora, seria preciso amputar a perna na altura do joelho.Ao lado dele no aguardo tambem de fazer uma cirugia, estava um senhor sem dedos das maos, aguardando para amputar agora as maos. Ele disse a seguitne frase a meu avô."Não tenho mais nenhum dedo por causa do sangue que tomei, mais vou continuar tomando, vou amputar as maos mais quantas vezes precisar de sangue, eu tomo".
    Meu avô é operado, sae ileso da cirurgia sem sangue. se recupera rapidamente impresionando os medicos. Tempos depois,agora de muletas, segue alegremente subindo as escadarias de mais de 50 degraus que tem subindo de sua casa em direção a pregação de casa em casa.
    Lembro uma vez que ele numa porta se apoiando nas muletas, um morador penalisado perguntou:"o senhor veio pedir o quê ? uma esmola?
    o velho sagas respondeu:"nao vim pedir esmola... "eu" é que vim lhe trazer um esmola.
    Dormiu filmente em 23 de dezembro de 19986, um dia antes de completar um ano da cirurgia que tinha feito.
    Sua experiencia é mais uma para incluirmos na grande lista de servos fieis que enfrentaram essa situação e permaneceram fieis.. melhoras a todos ,.....

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  3. Fico feliz que ela esteja bem, que Jeová continue dando força a vcs.

    Cléo-SP

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  4. Fico feliz pela recuperação de sua sobrinha, que Jeová continue abençoando a todos aí, se precisar de alguma ajuda pode contar comigo, pois faço parte do GVP aqui em Campinas. Abraços

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  5. Só achei lenta a ação da Colih. Quando fiquei internado uns dois anos atrás, tanto a GVP quanto a COLIH me ligavam diariamente, e o presidente da COLIH da minha cidade fez questão de convesar com os médicos, mesmo sem riscos de se usar sangue na minha cirurgia. Enfim, que bom que a mocinha está bem. Já nasceu lutadora.

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  6. Bem, Fernando, já que tocou no assunto, eu também achei. Disseram que "erramos", pois tínhamos de ter entrado em contato desde a quinta-feira, pois a COLIH não pode ser acionada de uma hora para outra, porém, quer dizer que em todas as cirurgias de emergências a COLIH não funciona? De qualquer modo, no dias seguinte eles ligaram, conversaram com a equipe médica e forneceu gratuitamente o medicamento EPO.

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  7. O sorriso dela em si já é uma grande recompensa.....
    Que Jeová continue abençoando esta pequena e fortalecendo a Silvia.
    "Pois eu, Jeová, teu Deus, agarro a tua direita, Aquele que te diz: ‘Não tenhas medo. Eu mesmo te ajudarei."
    (Isaías 41:13)

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  8. Estranho o comportamento da Colih, e não corresponde à atitude organizada em todo o mundo. Normalmente, as Colihs têm o que chamamos de plantão, de modo que mesmo que um dos membros (que talvez sirva como torre de comando) não possa ser contatado, os outros sabem quais os membros de plantão naquele dia e logo informam. Assim, não há sequer um dia que não seja coberto pelo excelente e indispensável trabalho da Colih. Valeria a pena que um dos anciãos locais que acompanharam o caso questionem à Colih sobre qual o procedimento de plantão até com o fim de melhorar o trabalho.

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  9. Graças a Jeová que ela está bem!

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  10. Perdemos a batalha, explicarei sobre isso amanhã. :(

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