ou com respeito a uma festividade ou à observância
da lua nova ou dum sábado."
- Col. 5:6
Uma das partes da carta aos Romanos escrita pelo apóstolo Paulo que eu mais gosto de ver considerada nas reuniões é o capítulo 14. Acho que o apóstolo Paulo, inspirado pelo espírito santo, faz uma descrição perfeita do que seja um ambiente de equilíbrio dentro de uma congregação. Paulo fala do equilíbrio que deve agir quando as Escrituras não estabelece um modelo específico para um comportamento. Existem irmãos mais sensíveis, e existem outros menos sensíveis. Segundo Paulo não existe alguém com mais fé, ou com menos fé, existe o irmão que por ter um bom senso baseado nos princípios bíblicos que sabe equilibrar as coisas. O sensível não critica a falta de metodismo do não sensível, e este por sua vez, não deve criticar o que talvez considere como zelo excessivo daquele que tem mais sensibilidade.
Nos dias de Paulo havia uma situação comum. Muitas das carnes vendidas nos açougues eram de gado que haviam sido ofertados em sacrifícios a deuses gregos antes. Dessa forma, criava-se uma contenda: alguns cristãos mais sensíveis achavam errado comer essa carne, então caçavam seu próprio alimento ou se tornavam vegetarianos. Contudo, alguns, menos sensíveis achavam um exagero, afinal, toda criação pertence a Jeová e não acreditavam que a carne bem preparada, cozida, e quem sabe, até dedicada a Jeová, não faria mal nenhum. Posto à prova, qual foi a resposta de Paulo?
pois Deus tem acolhido a esse.
Quem és tu para julgares o servo doméstico de outro?"
- Rom. 14:3,4
O que me deixa triste, contudo, é que mesmo que a informação estando clara no estudo da revista, lamentavelmente os irmãos - com a condecendencia dos dirigentes - sempre acabam pendendo para um lado, fazendo uma referência a "pedra de tropeço" mencionada no versículo 13. Da forma como se coloca, o tropeçável é sempre o mais sensível; mas será que os menos sensíveis também não podem tropeçar no zelo desnecessário do sensível demais? Acredito que Paulo estava mencionando isso; ele falava de equilíbrio.
No estudo da revista de ontem, um irmão comentou uma situação aonde um menino achava que ouvir reggae era errado. Entao ele foi na casa de um colega e ficou chocado ao saber que outro irmão ouvia reggae. Para não servir de pedra de tropeço para o menino, a mãe aconselhou o outro a parar de ouvir reggae. É isso que Paulo queria dizer? Vamos lá...
Porque, se teu irmão, por causa do alimento, está sendo contristado,
não estás mais andando de acordo com o amor.
Não arruínes pela tua comida aquele pelo qual Cristo morreu.
- Rom. 14:14,15.
Observaram? Segundo Paulo o irmão que come a carne que antes havia sido oferecida a ídolos, porque a consciência dele permite, poderia ficar contristado com o julgamento do irmão que é sensível e acha que isso é errado. Em outras palavras, o menino ouvia reggae porque a consciência lhe permitia, mas ele poderia também ser contristado pelo menino que achava reggae errado. Se a atitude do reggae-boy fosse diferente, não seria condenável, afinal, era sua prerrogativa. Muitos irmãos passam despercebidos por este ponto de vista, porque na teoria, acreditamos que aquele que aparentemente tem mais "zelo", está mais correto do que aquele que supostamente tem menos "zelo". Neste caso não se condenará aquele que utiliza o seu direito de utilizar a liberdade cristã dada por meio da morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Somente a ele cabe o julgamento.
Este é o princípio da sabedoria, este é o princípio do equilíbrio. Se todos nós vivêssemos a nossa vida sem fazer comparações, sem julgar as atitudes e comportamento dos irmãos que fazem coisas nós não gostamos (vale frizar o "nós", e não Jeová), talvez tivéssemos menos fofocas e tagarelice. Aos Colossensses Paulo menciona não julgar pelo "beber", "comer", "à respeito de uma festividade", "lua" ou "ao sábado". Pensem bem, o que você aplicaria isso a hoje em dia? Vestimenta, diversão, desenhos, jogos, atividades esportivas, enfim, várias coisas que fazem muitos tropeçarem pela língua ao questionar o próximo. Menos tagarelice, menos conflitos, e os anciãos teriam mais tempo para cuidar de assuntos importantes do que ficar intermediando futriquinhas.

