segunda-feira, 13 de setembro de 2010

IGREJAS-DORMITÓRIO


"Na proporção em que cada um recebeu um dom,
Usai-o em ministrar uns aos outros,
Como mordomos excelentes da benignidade imerecida de Deus,
expressa de vários modos."
- 1 Pedro 4:10




Quando Brasília foi construída havia necessidade de se construir “cidades” para os trabalhadores. Na inauguração em vez desses trabalhadores irem embora, acabaram ficando e assim, sem condição de morarem no Plano Piloto, foram povoando regiões que hoje são conhecidas como “cidades-satélites”. Mas antes de serem chamadas assim, elas eram chamadas de cidades-dormitório, ou seja, serviam apenas para que pessoas que vinham trabalhar temporariamente em Brasília pudessem dormir e se alojar. Por isso esse foi o nome que escolhi para designar algumas igrejas, sobretudo, as neo-pentecostais.

Eu convivi uma época com o pessoal da Igreja Renascer, antes de conhecer a verdade, e juntando com o pouco que venho conhecendo das pessoas que eu converso, cheguei a conclusão de que essas igrejas acabam sendo convenientes para quem procura fé-rápida e para a igreja que está mais preocupada com números do que com qualidade.

Tenho um amigo que é obreiro na IURD e questionei a ele se ele conhece todos os “irmãos” da igreja dele? A resposta foi exatamente o que respondia a minha questão: “Alguns, mas todo dia chega gente nova que é difícil gravar todos os nomes.” À despeito do “gente nova”, entenda-se renovação. Percebi que a grande maioria das igrejas neo-pentecostais está sempre lotada de pessoas que se renovam.

O lance é o seguinte: as pessoas estão tão desesperadas em busca de algo que lhe conforte o mais rápido possível, que se aprumar junto a essas igrejas que lhe oferece fé fácil acaba sendo o mais conveniente. Você entra, ora, chora, é consolado e, claro, paga. Com o passar do tempo, quando o problema não parece ser tão grande na vida dessas pessoas, elas simplesmente vão embora, pois não se vêem comprometidas com a igreja. Como a igreja também não possui nenhum comprometimento, o ciclo se fecha, se desfazendo e abrindo para novas pessoas, uma vez e uma vez mais.

Na época da minha estada pela Renascer eu lembro que quase não havia controle de quem entrava e saía da igreja, desde que a pregação da oferta tivesse sempre lotada de pessoas prestimosas. As pessoas iam e viam sem sequer sabermos especificamente quem elas eram, salvo uma ou duas vezes que você conseguisse uma “audiência” com o Bispo do lugar. Haviam pastores, presbíteros e diáconos, mas geralmente estes serviam apenas como equipe de apoio. Tanto que saí da igreja e até hoje acho que lembram mais de mim, assim como muitos outros da minha época, que também saíram sem sequer serem convidadas a ficar.

Claro que não deve generalizar. Igrejas evangélicas tradicionais como a Assembléia de Deus e a Batista possui uma administração mais rígida, embora na maioria delas, a falta do rebanho só é sentida quando o dízimo mensal não é pago (aí você recebe uma carta carinhosa lhe informando que você está em débito com o Senhor).

Enfim, não se devem temer evangélicos no serviço de campo justamente por isso. O fato dele conhecer aparentemente a Bíblia não o transforma num morador difícil de se lidar. Acredite, ás vezes é muito mais fácil do que convencer uma pessoa fanática que tenha apenas como prumo à sua crença. Lidar com católicos que não possui conhecimento algum da Bíblia, pelo menos para mim, é mais complicado, porque é mais difícil racionar com ela à base das escrituras. Mas cada caso, é um caso. Que no fim, nos empenhemos em usar nossos dons para servir à Jeová e atrair essas pessoas.

3 comentários:

  1. Olá André

    Agora que ja foi seu congresso, e daqui a alguns dias termina em todo o Brasil, por que você não prepara uma resenha a respeito do DVD?

    Seria legal você também tecer alguns comentários a respeito do DVD "As Maravilhas da Criação Revelam a Glória de Deus", de alguns dramas também... O que achas?

    Muito obrigado.

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  2. Vou esperar acabar a série de congressos.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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