sexta-feira, 9 de abril de 2010

J. F. RUTHERFORD ASSUME DE VEZ

A Organização de Jeová é uma teocracia, não uma democracia. Essa frase que eu ouvi ainda quando era estudante da Bíblia, utilizada para me explicar que as coisas na congregação não são decididas em prol do que a maioria acha, mas daquilo que está em acordo com os princípios bíblicos e à vontade de Jeová, serve para explicar uma das decisões mais criticadas de J. F. Rutherford em 1917 que alguns apóstatas ainde hoje usam para acusá-lo de ter usado seu poder como Presidente da Sociedade Torre de Vigia à força.

Para começar, embora o Pastor Russell tenha sido um grande homem ao dar o pontapé inicial, muitas das crenças e idéias divulgadas se mostraram totalmente equivocadas na década de 20. "O Plano Divino das Eras" já tinha dado abertura suficiente para uma série de discussões ao associar a Grande Pirâmide do Egito ao cumprimento de profeciais, o que fez muitos associar a Sociedade à maçonaria. Embora Charles Russell fosse um irmão amoroso e humilde, ainda assim, não conseguiu fazer com que o respeito e admiração dos irmãos por ele se transformasse em idolatria e isso se tornou o grande impecilho para a obra do Reino após sua morte.

Rutherford ao continuar o trabalho dele, de inicio, não tomou nenhuma decisão que batesse de frente com o que Russell havia ensinado, até que em 1917, a Comissão Executiva convocou dois irmãos - Clayton J. Woodworth e George H. Fisher - para finalizar a sétima e última edição do volume "O Estudo das Escrituras", entitulado "O Mistério Consumado". Mas aquilo que deveria ser apenas uma compilação das idéias de Russell, acabou se tornando uma versão totalmente revisada e corrigida, algumas delas, inclusive, reformulando artigos já publicadas por Russell nos volumes anteriores. Alguns editores acharam isso absurdo e uma afronta ir de encontro às crenças de Russell e se recusaram a publicar o livro, por isso, quatro deles foram sumariamente demitidos por Rutherford.

Não precisa dizer que o lançamento do livro caiu como uma bomba em Betel divindo os irmãos! Uma grande parte aceitou de bom grado as novas luzes espirituais, mas uma parcela de irmãos "fiéis" à Russell foram contra a publicação do livro e viu na demissão dos editores uma demostração de totalitarismo. Foi o estopim que fez com que os opositores de Rutheford levantasse uma inssurreição no refeitório por meio de discursos, criticando e questionando a sua capacidade administrativa e espiritual de comandar a Sociedade por cerca de 5 horas. Não precisa dizer que vários membros de Betel abraçaram o discurso opositor e se rebelaram contra Rutheford e os membros da diretoria, entre eles, o irmão A.N. Pierson que há um ano antes tinha sido um dos mais entusiastas defensores de sua candidatura à presidencia, e que devido a isso, acabou também sendo demitido da vice-presidencia.

Diante da situação de opressão, o trabalho espiritual não podia parar, foi então que Rutherford tomou uma decisão contundente como presidente da Sociedade Torre de Vigia que mudaria toda a forma de administrar a Sociedade Torre de Vigia e impulsionaria a obra pelo mundo: admitiu quatro novos diretores, pessoas de fé e de sua confiança há tempos, mas que Rutherford havia protelado a suas designações para não dar impressão de que queria ir de encontro à vontade de Russell. Mas qual o problema nisso? Ele não era Presidente?

Ocorre que conforme o testamento de Charles Taze Russell, os novos membros da diretoria só poderiam ser designados por meio de votos, e assim assim, na assembléia anual, que ocorreria praticamente no ano seguinte. Se Rutherford não tivesse tomado essa decisão, a gráfica ficaria parada, Betel esvaziada e a obra de distribuição gratuita de tratados ficaria comprometida por até um ano. Isso não poderia ocorrer, a obra de divulgação das promessas de Jeová não poderia ficar parada por causa de contendas egoístas de homens que estavam preocupados em obter vantagens pessoais do que espirituais. Um presidente de uma organização precisa tomar decisões emergenciais que não prejudiquem a administração, e por isso, a decisão de Rutherford foi acertada e de direito. Ele não violou a Lei de Jeová, ele apenas não cumpriu a "Lei de Russell" que naquele momento não era beneficente para as dezenas de congregações espalhadas pelos EUA. Assim como Rebeca, que ao perceber que o idoso Isaque abençoaria Esaú no lugar de Jacó, logo criou uma forma de fazer com que isso não acontecesse, enganando o marido, fazendo-o abençoar um filho no lugar do outro. Rutherford foi tão "ilícito" para defender a Organização de Jeová na terra como fora Rebeca no passado.(Gênesis 27:1-29)

Mas ainda havia um desafio. Rutherford era advogado, foi promotor e juiz, portanto sabia que os novos diretores só seriam legalmente efetivados em janeiro de 1918 na reunião anual, e durante esse tempo, embora petições judiciais tenham sido recusadas (alguns atribuem isso a uma suposta influência de Rutherford no judiciário de Missouri), ainda havia o perigo dos rebeldes opositores de influência os votantes contra ele. Então Rutherford, como Presidente, tomou a atitude mais coerente que se podia tomar, fez uma pesquisa de opinião antecipada, um levantamento entre as congregações e depois publicou na WatchTower de 15.12.1917 o resultado: os votantes expressaram enorme apoio a J. F. Rutherford e aos diretores que cooperavam com ele. Um mês depois, ele, juntamente com C. H. Anderson como vice-presidente e W. E. Van Amburgh como secretário-tesoureiro, além de mais quatro irmãos foram eleitos e confirmados como a comissão executiva da Sociedade Torre de Vigia. Alguns chiaram, disseram que ao publicar o levantamento, na verdade, influenciou outros irmãos a votarem na comissão, mas pelas Leis dos homens, e de Jeová, ele não fez nada que fosse questionado como ilícito.


A maior prova de que Rutherford agiu corretamente foram as bençãos de Jeová que permitiu que o alimento espiritual fosse divulgado apesar das discórdias em Betel e fortaleceu ainda mais a comissão executiva. Alguns opositores questionaram junto ao meio jurídico, outros formaram novas congregações, e criatam até novas "religiões", mas ao final de 1918, com o fim da 1ª Guerra Mundial, os irmãos Estudantes da Bíblia continuaram firmes, fortes e empenhados em trabalhar mais para Jeová, enquanto os irmãos e congregações que apoiaram os opositores caíram em decadência. Alguns, arrependidos, ainda retornaram, mas estima-se que "limpeza de Jeová", tenha concluído com a saída de cerca de 75% dos irmãos.


No "ano do Senhor", iniciado em 3 1/2 tempos mencionadas em Daniel 7:25, Daniel 12:7 e Revelação 11:3 quando Jesus Cristo tinha finalmente assumido sua posição como Rei reinante do Reino de Deus, as comportas do céu se abriram e os irmãos, sob a administração de J.F. Rutherfod passaram por uma avivamento nunca antes visto. Houve um brilho das boas novas que clarearam a mente dos irmãos para a vontade de Jeová culminando na revelação de vários princípios da Bíblia. Praticamento tudo que Charles Russell havia escrito foi postergado por novas relações: descobriram-se que "Jeová" era o nome de Deus e que deveria ser enaltecido, descobriram que inferno de fogo não era literal, que nem todos tinham a esperança de viver no céu, mas que havia um grupo de "outras ovelhas" que tinham a esperança de viver na Terra. As congregações se multiplicavam, a obra era divulgada em todo o planeta e adoração de Jeová era fortalecida.

Claro que a "luz que brilha mais e mais" foi refletida aos poucos. Houve algumas decisões administrativas que acabaram equivocadas, algumas "profetadas" por causa de interpretações pessoais (como nas duas mansões luxuosíssimas que Rutherford mandou construir devido a uma interpretação de Hebreus 11 ao qual acreditava-se que os patriarcas Jacó, José, Moisés, Abraão seriam ressuscitados) mas nada que tenha influenciado negativamente na vida de ninguém. O sucesso espiritual e o renovo chegaram ao clímax em 1935, quando baseado no texto de Isaías 35:15, os estudantes da Bíblia passaram a se chamar TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, como todos nós somos or-gu-lho-sa-men-te conhecidos em mais de 230 países e territórios em todo o planeta.

3 comentários:

  1. Interesante quando voce diz que Ruterford descunpriu uma ordem de Jeova ele só não cumpriu uma ordem de russel. Interesante tambem a comparação com rebeca, mais por que quando uma pessoa que tem a mente treinada pela biblia e por Jeova deside não fazer ou acreditar em coisas absurdas determinadas pelo CG é chamado de apostata? Já que ele não esta descumprindo Deus, apenas não esta concordando com o CG ?

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  2. Pelos mesmos motivos que os israelitas não questionavam as Leis Mosaicas, que aparentemente eram "absurdas" do ponto de vista humano daquela época; da mesma forma como os cristãos não questionavam o Corpo Governante do primeiro século. Eu confio no Corpo Governante atual, e pra mim isso basta.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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