quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quando é preciso romper amizades


O estudo da revista deste final de semana me levou de volta no tempo há 21 anos. Nesta época Testemunha de Jeová era apenas mais uma religião de crente, que minha mãe insistia em estudar com uma senhora uma vez por semana. Eu tinha visão evangélica graças a uma tia que responsável pela minha "evangelização" desde criança, mas sempre tinha a visão de que igreja, seja ela qual fosse, servia muito mais como uma restrição à liberdade e um engodo aos incautos, do que necessariamente uma via de libertação.

Voltando ao estudo, isso me trouxe a memória a pessoa que me fez estudar a Bíblia, por grande ironias da vida, um desassociado, um colega de sala de aula chamado Francisco. Quando falei da primeira vez que tinha ido à comemoração e sobre o consequente estudo bíblico, ele foi uma das pessoas que mais me incentivaram. Na época eu era headbanger e algumas das coisas no ensino bíblico que mais me chamaram a atenção foi explicado inicialmente por ele: inexistencia de um inferno de fogo, o uso de símbolos como cruz, entre outras coisas. Nos tornamos amigos e sempre que tocávamos no assunto da Bíblia - geralmente na segunda-feira subsequente ao sábadodo meu estudo da Bíblia que durava cerca de 03 horas - ele sempre tinha um comentário interessante para fazer, embora eu nunca tenha compreendido porque ele desconversava todas as vezes que perguntava porque ele não frequentava mais. "Questões particulares", "Ah não tenho mais saco" ou "a religião é boa demais para mim" eram coisas que eu mais ouvia.

Até que com o passar do tempo "descobri" o que significava uma pessoa ser desassociada e, principalmente, que para eu me tornar um publicador não-batizado eu precisaria deixar de falar com ele. Era irônico que uma das pessoas que mais me incentivou a estudar a Bíblia era também um dos motivos o qual eu não poderia progredir na congregação. A situação delicada foi totalmente compreendida pelo próprio Francisco que se adiantou, explicou e entendeu que nós não poderíamos mais ser amigos caso eu quisesse me tornar Testemunha de Jeová.

E assim, acabou-se uma amizade e a última vez que vi Francisco foi na festa de formatura da 8ª série da Escola Padre José Vasconcelos. Depois desse dia perdi o contato e nunca mais tive notícias dele. Houve boatos que ele havia descoberto sua homossexualidade e que estava morando com um rapaz, mas de boatos e história vive a mentira contada. Não sei se hoje está vivo, morto, doente, sadio, mas com certeza se tornou uma das muitas histórias que posso contar sobre ironias da vida.

6 comentários:

  1. eu passei por isso uma única vez, quando um amigo meu foi desassociado. Felizmente, pouco tempo depois ele foi readimitido.

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  2. BIO - ja passei isso numa situação muito ruim, quando foi a de ver meu irmao carnal ser desassociado.Agora entendo por que alguns mi diziam que é uma dor pior que a morte de um parente próximo.Posso dizer que realmente é pior,pelo pra mim, pois ja perdi meu pai a 5 anos.Imaginar que a pessoa pode não ter esperança de vida, que está morto pra Jeova, com certeza não é a melhor das experiencias.

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  3. Andre, muito interessante seu relato... a contradição de ser um dessassociado que te incentivou...parece até ironico.

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  4. acho que a pessoa desassociada deveria sempre manter contato com pessoas que também passaram pelas mesmas situações, só assim a dor é amenizada quando se compartilha sentimentos parecidos, é uma forma de colocar tudo para fora, tipo eu estou nessa situação mais não estou sozinho, só não pode virar apóstata, ai a casa cai pois não tem volta é cuspir no próprio prato, acho que jeová não perdoa, sinto muito informa-los, sem chance! tudo, menos apóstata por favor.

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  5. Boa noite André,
    Tenho uma amiga q foi desassociada recentemente e diz q procurou os anciãos para confessar a sua fornicação. O namorado não foi desassociado, porém, ela foi. Entretanto, devido ao estado emocional durante a comissão, começou a fumar e se cortar ou autolesionar. Antes de conhecer a verdade era fumante. O q ela não entende até agora pq foi desassociada se confessou. Até apelou pela decisão.
    Particularmente, não vou questionar a decisão dos anciãos, mas existem anciãos e anciãos. Ela achava q Jeová não a amava mais. Estou ajudando por meio do site jw.org a voltar. Ela voltou a frequentar as reuniões e tentando parar de fumar e de se cortar, frequenta terapeuta.
    Ela mudou de congregação, os outros anciãos, e eu acredito irão ajudá-la. E então, cumpro o meu papel como amigo. Ela não tem ninguém na organização. Isso é chato, pq ja li pessoas cometerem suicidios por não terem ajuda. Tem alguns q exageram, mas acredito. Mas tem alguns irmãos que tem uma cabecinha fraca....
    Obrigado André.

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  6. É difícil questionar as decisões dos Anciãos, porque não sabemos dos detalhes da comissão judicativa. Um fato que eu sei sobre apelação, é que quando algo sai errado, eles sempre revertem. É preciso analisar muitos fatores, e por isso, também vou me abster de julgar. Pelo visto ela tem problemas com depressão, sugiro que além de ajudá-la por meio das publicações, talvez, então, seja necessário pedir que ela procure um psicólogo para que possa ajudá-la mais ainda.

    E quanto aos irmãos, ah, esqueça os "superfinos apostolos", eles vão ter uma suite no paraíso, eu me contento em ficar numa kitnet, desde que Jeová me aceite de volta. Entendeu? Fica com Jah.

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