sábado, 26 de setembro de 2009

A Cabana de bobagens



É incrível como às vezes algo desperta a atenção das pessoas e acaba fazendo sucesso pelo famoso "boca-a-boca". Sem marketing, sem ações de promoções fáceis, o livro A CABANA conquistou uma legião de leitores admirados. Não foi surpresa, então, quando um colega de trabalho me presenteou com este livro, dizendo que minha vida mudaria ao final da última página lida. Não sabia nada sobre o livro e por isso, por curiosidade, comecei a folheá-lo. Não consegui, parei no terceiro capítulo.

O livro A CABANA foi feito praticamente para dois tipos de público: aquele que gosta de ler livros de auto-ajuda ou acha as bobagens de Augusto Cury, Lair Ribeiro e Paulo Coelho uma jóia da literatura e para os evangélicos que seguem a religião mas não se aprofundam no conhecimento das Escrituras e acha lindo qualquer opinião conveniente ao seu modo de vida baseada em Deus.

A história do livro começa interessante: a filha do personagem principal é raptada e existem evidências de que ela fora brutalmente assassinada dentro de uma cabana abandonada. Ninguém sabe quem foi ou o motivo de tanta cruelmente. Então, quatro anos depois, o pai da menina recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à cabana. Lá ele passa a ter um encontro pessoal com Deus “em forma” de Jesus, o pai e o espírito santo.

O livro discute de forma desproposital o porque Deus permite o sofrimento as pessoas a partir de um hipotético diálogo entre o personagem e Deus. É quando o autor recheia o leitor de frases prontas e clichês relativistas sobre o conceito de adoração e fé, é quando a coisa desanda mesmo. Para começar é quase uma heresia atribuir diálogos a pessoas que você não conheceu pessoalmente, quanto mais ao próprio Deus. A história começa a tomar ares de absurdos quando elementos de auto-ajuda e de filosofias são atribuídas a frases ditas pelo próprio Jesus.

Numa das passagens Jesus diz ao personagem principal "Não vim para formar uma religião". Quer clichê maior que esse? Noutra ele dá a entender que Deus permite o sofrimento porque somente desse jeito é que as pessoas o procurariam. O Deus de amor, de compaixão e de misericórdia é jogado no lixo. Se você crer em Deus e leva uma vida de fé, é levado a acreditar que caso aconteça uma tragédia em sua vida, Deus não o protegeu porque de algum modo você não o estava seguindo corretamente. Olha só que prato cheio para os ateus e agnósticos?

Além disso, a cada capítulo ele publica frases de autores cuja inspiração é no mínimo questionável. “A fé nunca sabe aonde está sendo levada, mas conhece e ama Aquele que está levando” uma frase piegas de Oswald Chambers. E ele ainda cita ateus históricos como Albert Einstein, C.S. Lewis e Cheterton para promover suas idéias. E nenhuma delas traz nenhuma citação a um princípio bíblico; quando isso acontece, são textos marginais citados sem um argumento convincente. Enfim, esse talvez seja o maior defeito desse livro. O perigo de inculcar na mente das pessoas, idéias pessoais baseadas em filosofias vãs, como se fosse do próprio Deus.

Enfim, eu sei que vocês de uma forma geral jamais leria esse livro. Mas é possível que assim como aconteceu comigo, ganhasse um de presente de uma amiga religiosa que achou o livro lindo e por achar que você como Testemunha de Jeová é igual a milhares de evangélicos alienados que existem, e por isso gostaria de ver a história interessante. FUJA! O livro é um grande festival de bobagens e mentiras sobre o nosso Deus maravilhoso.

2 comentários:

  1. Minha mãe caiu nessa, leu essa porcaria e foi emgabelada. Eu li também, e achei ridículo. Colocaram a trindade na forma de um lenhador, uma Negra e uma asiática como sendo o espírito santo. Nunca vi coisa mais descabida. Se a trindade existisse seria uma afronta a esta. rsrs "Fazer imagens do que existe no céu".

    Ainda estou tentando alertar minha mãe, e quero levar ela a celebração este ano.

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  2. C.S. Lewis foi ateu, mas deixou de ser muito antes de sua morte e escreveu diversos livros cristãos. Quanto ao livro A Cabana, é uma história de ficção, e deve ser lida como tal. Apenas.

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