quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

[ Viva a democracia da música ]

Os dias do CD estão contados, e acredite, isso é bom, na verdade é muito bom para quem gosta de música de qualidade. Durante anos, fomos reprimidos pela indústria fonográfica que ditava a moda e o gosto das pessoas, impondo canções por meio das FM (pagando os famosos jabás) e pela MTV.

A música passou a ser sinônimo de lucro, principalmente em meados da década de 60 com a popularização do disco de vinil. Como era muito caro produzir um disco e manter um cantor, as gravadoras só contratavam artistas que estavam dispostos a “vender sua alma”. O valor disso tudo era repassado para os discos e o público, ansioso de poder ouvir a sua música favorita em casa na sua radiola, sem depender das rádios, estava disposto a pagar o preço. Logo as grandes gravadoras se tornaram um império.

Na década de 80 a indústria fonográfica tomou seu primeiro baque com a popularização das fitas K7. Pela primeira vez as pessoas podiam gravar suas músicas, criar coletâneas conforme o seu gosto. Então, em meados da década de 90, nasceu o CD, e como ele veio também a pirataria, e a exposição de que gravar música era até cem vezes mais barato que os preços praticados pelas gravadoras.

Que a pirataria é crime, todo mundo sabe, mas como as pessoas não podiam viver sem música, era tentador comprar o álbum do seu artista preferido por R$ 5,00 em vez dos R$ 30,00 das lojas. Era um caminho sem volta apesar do apelo dos próprios artistas em busca do lucro perdido.

A internet foi o ponto final. Por meio dela podia se baixar qualquer música e de graça! As pessoas não dependiam de comprar o CD na loja, e o melhor, podia ouvir a sua musica preferida, não aquela que as rádios enfiava goela abaixo. Algumas bandas não entenderam o recado. O Metallica processou os fãs e ajudou a fechar o Napster. Vários outros programas também foram ameaçados como Imesh, Kaasar, dentre outros. Mas já era tarde , a revolução tinha começado.

Atualmente, várias bandas surgiram ou se adaptaram a nova realidade. Avril Lavigne gravou boyfriend em várias línguas, inclusive o mandarim para conquistar a Ásia. O Radiohead lançou um álbum na internet, onde os fãs poderiam pagar o preço que quisesse. Lilly Allen se tornou um sucesso mundial postando suas músicas na internet e até uma banda brasileira, o Cansei de ser Sexy, conheceu o estrelato por meio do YouTube.

Haverá uma época, onde os artistas lançarão seus discos gratuitamente – o lucro virá apenas dos shows – e não precisarão das gravadoras para ditar a moda. Quando isso acontecer, estaremos vivendo a grande democracia da música mundial.


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