sábado, 15 de setembro de 2007

[ Yes, eu amo cinema! ]


Eu amo cinema. Quando falamos nisso, não está em questão apenas o fato de ir ao cinema, comer Doritos com fanta uva e depois voltar dizendo que o filme é legal. Envolve conhecer toda produção, analisar a fotografia, as edições de imagens, a marca da direção, e principalmente, trilha sonora. É um conjunto de coisas que faz, por exemplo, de Transformers o melhor filme do ano. Ah, mas claro, eles nunca serão considerados como tal pelos críticos de cinema que vão selecionar algum drama chato da hora, ou aquele que traz a biografia chata de alguém.


Mas este é o problema, principalmente, do crítico brasileiro. Existe uma unanimidade burra no nacionalismo cultural, aquela de que devemos valorizar nossas raízes a qualquer custo, mesmo que nossas raízes sejam piores que os dos outros. Hoje estreou no cinema o filme “Baixio das Bestas” que recebeu elogios de todos. O filme deve ter suas qualidades, mas a circunstancia toma o sentido ridículo quando vem acompanhada da velha reclamação de que as produções nacionais não têm espaço, que blockbusters como Piratas do Caribe ou Homem Aranha 3, que ganham mais salas do que os filmes nacionais.


As maioria das pessoas vão ao cinema em busca de diversão, pois cinema é, antes de tudo, um arte de entretenimento. Embora eu ache que exista espaço para os chamados “filmes cabeça”, mas eles vão ficar condicionados aos lugares onde os seus públicos alvos costumam freqüentar: aqui em Brasília existem dois espaços para isso que é o Cine Academia de Tênis e o Embracine. Agora, querer que um filme brasileiro que trata “das mazelas do ser humano, o lado mais podre e escuro do homem, a partir de personagens movidos pela hipocrisia, perversão e crueldade”, ganhe mais salas do que Transformers; é ser utópico demais.


Engraçado que na França a discussão era a mesma, sendo que lá, os nacionalistas utópicos venciam. As salas eram abarrotadas de filmes cabeça franceses (e por sua vez, vazios também), enquanto os poucos cinemas que tinha permissão para exibir as grandes produções apinhavam de gente. Então surgiu um produtor chamado Luc Besson que como um ótimo visionário, descobriu que a França tinha dinheiro suficiente para produzir grandes filmes com a mesma qualidade que os de Hollywood. De lá para cá, a Luc Besson produziu O quinto elemento, Taxi, Cavaleiros do Ar,O pacto dos lobos, filmes que não devem em nada as grandes produções americanas. Hoje, a França já é um cinema de entretenimento e os donos de salas de exibição voltaram a ganhar dinheiro.


Embora eu deteste a Globo, mas aqui no Brasil, a Globo Filmes começa a fazer uma verdadeira revolução ao primar por filmes de entretenimento, em vez de filmes cabeça, que já possuem incentivos do governo para serem produzidos. Os intelectuais de plantão torcem o bico, mas eles não conseguem encontrar uma solução para os exibidores de cinemas que enchem suas salas com filmes como “Didi e a Princesa Lili” enquanto outras ficam às moscas para exibir filmes cabeça chatos como “Baixio das Bestas”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

TODOS COMENTÁRIOS SÃO MODERADOS. (1) Não tiro dúvidas sobre doutrinas cristãs (2) Não permito ofensas, palavrões ou termos vulgares. (3) Não é permitido proselitismo, apostasia, contudo, aceitamos bons argumentos.