terça-feira, 3 de agosto de 2010

ROUBO INVISÍVEL

Semana passada, ao falar da música “Solidão” de Milionário e José Rico, mencionei que o tinha baixado a musica da internet. Como ninguém deixa escapar nada, logo fui questionado por um irmão se isso era correto. Admito, que fiquei meio sem graça, afinal, como diz a matéria “Roubo Invisível” da revista A Sentinela a regra é clara: a pessoa que baixa música, filme ou séries na internet estaria violando o código de Copyright. O maninho que usa um programa de computador sem licença estaria também violando o princípio bíblico da honestidade.

Entretanto, essa questão é algo muito difícil de se debater pelas circunstâncias atenuantes que tem permitido um batalhão de discussões pelo mundo à fora, fazendo com que inclusive a própria Justiça não tenha uma posição definida sobre algumas situações. Mas independente disso, como irmãos, temos que fazer o que é certo. O problema é quando o limite sobre o que fere, ou não, a Lei dos direitos autorais se torna tênue.

Por exemplo: usar programa de computador pirata é errado, certo? Mas sabia que possivelmente você, e milhares de irmãos, devem estar utilizando um neste momento? Se seu computador foi comprado numa loja de eletrodomésticos deve ter verificado que ele veio apenas com a edição Started Edition, que nada mais é do que o Sistema Operacional puro e simples. Assim você precisou levar para um “amigo” ou alguma loja de informática para instalar o pacote Office, correto? E se seu computador “deu pau” alguma vez e você levou para uma loja ou o mesmo amigo para formatá-lo e reinstalar os aplicativos? Bem, se você não desembolsou no mínimo R$ 400,00 para comprar um pacote Office e/ou o sistema operacional Windows que ele instalou em seu micro, então, você está usando um programa pirata!

Sim, os técnicos de manutenção de computadores utilizam programas piratas com licenças genéricas ou hackeadas para permitir a instalação de um mesmo pacote em vários computadores diferentes. Você compraria um carro roubado, lhe vendido com uma placa trocada e inclusive com nota fiscal, mas sabendo que é roubado? A situação é a mesma, mas observou como toma um contornos diferentes quando é colocado nesta situação? Então, antes de criticar alguém por usar um programa de computador pirata, compre o pacote original e peça para instalar em seu computador agora mesmo.

Na questão de baixar músicas ou série, a discussão se torna ainda mais infindável devido às situações circunstanciais. No início da década de 90 um telefone residencial custava quase quatro salários mínimos. Depois da privatização das telecomunicações e a concorrência, as operadoras instalam hoje telefones quase de graça, cobrando apenas os serviços de utilização. Porque isso aconteceu? Porque as circunstâncias mudaram e as operadores tiveram que se adaptar.

Antes quando uma série era exibida nos Estados Unidos na TV ABERTA, éramos reféns da “boa vontade” das nossas emissoras que poderiam comprar, ou não, aquela série, e ainda assim ser exibida com quase dois anos de atraso desde a primeira exibição. Hoje, é diferente, graças a globalização e a popularização da internet. Quando uma emissora de TV ABERTA (vale frizar, mais uma vez), exibe uma série ela está disponibilizando suas imagens para o público em geral que possui permissão para copiar e distribuir para seus amigos, desde que isso não gere lucro. A maioria dos sites e comunidades de seriados faz isso: copiam e colocam legendas sem ganhar um centavo por isso, só a satisfação de popularizar a sua série favorita. Quando você baixa essas séries para o seu consumo não está cometendo crime algum nem lá, como aqui no Brasil.

É claro que emissoras como Record e Globo, que compram essas séries depois para exibir no Brasil, se sentem prejudicadas, mas isso é problema administrativo delas. Quem sabe aprendem a comprar e exibir as séries quase que ininterruptamente? Veja o caso do canal AXN, a série LOST foram exibidas com um atraso de apenas 2 semanas e por causa disso sua audiência aumentou em 30%, já para muitos, assistir no conforto de sua TV, com uma boa imagem de definição é melhor do que ver na tela do computador.

Quantos as músicas, entendo que a situação é mais complicada, pois temos leis específicas sobre a utilização dela. É sabido, entretanto, que quem mais chia são as gravadoras que ao contrário das operadores de telefonia, não se permitiram adaptar às novas regras de mercado. Se há 20 anos, vender CD já não era a principal fonte de renda dos cantores, imagine hoje aonde baixar músicas não é só popular, como é incentivado, inclusive por artistas e bandas em inicio de carreira que utiliza dessa fórmula para se tornarem conhecidos? É coerente e justo que uma banda que começou sua carreira distribuindo gratuitamente suas músicas de graça na internet, venha cobrar algumas coisas depois de famoso? Enfim, questões que suscitam muita discussão.

Mas alguns casos são relevantes informar: as novas bandas de sucesso são crias da internet, começaram colocando músicas na rede e lucram tão somente pelo preço (que não é barato) dos ingressos dos shows. Bandas consagradas como Radiohead, Pearl Jam, Prince entre outros, disponibilizaram seus novos álbuns pela internet e vivem somente dos shows. Enquanto isso, bandas tradicionais que tentaram conter o avanço dos downloads, inclusive ameaçando com processos juridicos, como Metallica e a minha linda Lilly Allen, entre outros, caíram na antipatia dos seus fãs, e por isso mesmo, vivem agora no ostracismo.

Infelizmente, para quem trabalha com tecnologia, a coisa é mais complicada ainda. Se fôssemos levar ao pé da letra, não existiriam hoje tantos técnicos em informação, sistemas da informação e seus conseqüentes analistas de sistemas, pois pouquíssimas pessoas teriam como arcar com cerca de R$ 2.000,00 por mês para bancar a compra de aplicativos, upgrades, drivers, periféricos e afins, originais. Utilizar programas hackeados entre esses é mais comum do que a franjinhas e a cara de choro nos emos.

Mas enfim, somos Testemunhas de Jeová, e precisamos viver sob os princípios bíblicos de honestidade. Mas acredite irmãos, antes de tecer qualquer comentário sobre o assunto, é preciso avaliar bem a situação, pois você pode estar comentando algo, que pratica, ou que alguém bem próximo de você, esteja praticando. Por isso o assunto é polêmico.

7 comentários:

  1. Tambem é preciso levar em conta os direitos de posse do comprador. Se você comprou o "arquivo digital", ele agora é seu, não do autor. este não pode impedi-lo de fazer copias, ou de divulgar os arquivos.( como se faz no Youtube). só pode impedir de distribuir, que é de direito dele.

    Também, lembra quando se fazia gravações de musica, no radio, naquelas fitas cassete? Ninguém reclamava.Não seria porque você, por meios próprios, criou "um similar"– como se faz ao copiar um desenho– do original?

    Programas de download não poderiam ser encarados como "meio próprio" de produzir essa musica?

    Eu trabalho com manutenção de micro, e informatica ainda é muito cara,legalmente falando. Confesso que é meio difícil trabalhar sem pirataria, principalmente porque além de cobrar barato, tem um monte de gente que trabalha com isso.
    Sem poder garantir que "tal programa" vai ser instalado, perco clientela.

    Mas fazer o que? Jeová nos orientou a agir assim, então ele também nos trará a saída...

    Quanto aos comentários que recebeu, irmão, sabe o que eu penso? Tem muita gente que gosta de 'apontar o dedo' e de parecer teocrático, correto. fica prestando atenção a cada vírgula do que você diz te corrige sem sequer prestar atenção ao que você falou, como um todo.

    Essas pessoas precisam aprender que, se querem convencer alguém a se corrigir (se realmente estiver errada), terão que fazer isso "com tato', com jeito. Por que, atacando, só vão conseguir que a pessoa continue fazendo o 'erro' ainda mais.

    Desculpe se escrevi demais. é que esse assunto ainda me deixa bem incomodado.

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  2. Puxa, mano, me emocionei com seu comentário, achei que acordaria hoje com isso aqui repleto de críticas... mas resumiu tudo o que eu deixei de falar acima.

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  3. BIO - voce redigiu muito bem seu texto, de uma forma que colocou em xeque eses pesudocriticos irmaos.Como seria bom se todos demosntrassem a delicadesa do acima citado.Nessa era supermorderna, com esses avanços, e falta de leis (ainda bem) bilicas pra tudo, precisamos se bem perpicazes nas nosas colocaçoes referentes a esses assuntos.
    E muito infeliz a critica do antes citado. pois enquanto vc falou de algo de seu coração sobre seu pai,álguns so focaram na pintinha branca na folha de papel....

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  4. Bom dia Andre

    Muito interessante sua posição a respeito do assunto. Não há desculpa para descumprir as leis de Jeová. Mas discordo quando tenta "justificar" o crime realizado pelas pessoas e por muitos irmãos, de copiar músicas e séries protegidas por leos de direitos autorais da internet. Certamente o assunto é polêmico, mas a lei atual (note, atual, de agora)também é clara.

    Que fique claro, não fui eu quem o critiquei :) Não costumo julgar as pessoas (mesmo 'podendo', já que uso apenas software livre em meu PC), mas gosto de tornar clara minha posição. Recentemente fiz um artigo a respeito disso, mas voltado mais ao assunto dos softwares ilegais, aqui: http://prat.jonata.org/blog/posts/por-que-pagar-se-voce-pode-ter-de-graca/

    Enfim, parabéns pelo posicionamento. Veja o lado bom das críticas: podemos parar e pensar sobre esses assuntos.

    Muito obrigado.

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  5. Meu irmão, ficou muito bem redigido esse artigo. Parabéns!

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  6. como adoradores de jeová, temos que seguir os preceitos estabelecidos pelo nosso pai celestial é óbvio que vai surgir questões relacionados a nossos preceitos morais o tempo todo, mas isso depende de cada um de nos onde devemos avaliar a situação e tomar nossa posição.

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  7. oi andre peço por favor postar o numero da revista para q possamos acha-la mais facilmente
    aguardo resposta anciosa

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