quinta-feira, 4 de março de 2010

GRANDE INSTRUTOR


"Teus olhos terão de tornar-se
olhos que vêem o teu grandioso
Instrutor" - Isaías 30:20



O texto diário de hoje nos sugere a lembrar dos atos cuidadosos de Jeová, aquele aonde "vemos" Sua mão sobre nós nos salvando, nos livrando, nos cuidando, nos acalentando, enfim, mostrando ser um grandioso Provisor, Consolador ou Instrutor. (Isaías 30:21). Com certeza já tivemos várias passagens em nossas vidas de como Jeová se mostrou um Deus que nos cuida, mas vou lembrar aquela, que para mim, foi a maior de todas.

Eu tinha uns 22 anos e trabalhava há 06 numa imobiliária lá em Salvador. Eu gerenciava a parte de administração de alugueis e isso incluía recebimento de pagamentos, repasses aos proprietários e daquela que cabia à imobiliária. Tudo ia muito bem, até que o dono da imobiliária resolveu contratar uma corretora para cuidar das vendas dos imóveis. A pessoa era muito agradável, solícita e bastante generosa, especialmente comigo, depois que ela começou a não se dar bem com o gerente financeiro da imobiliária. Era uma época difícil, aonde além de ganhar pouco, estudava à noite e fazia curso de montagem de micro nos finais de semana. Havia dias que eu sequer tinha dinheiro para comprar um almoço, e às vezes um pão com mortadela era a minha refeição diária. Mas não chorem, não estou transformando isso num drama!

Mas o fato é que certo dia essa pessoa soube disso e resolveu bancar meu almoço. Os outros funcionários começaram a estranhar, mas agiam com gozação, dizendo que ela estava a fim de mim. Eu que não tinha nada a ver com isso, estava aproveitando a situação. Pois bem, enquanto isso a "generosidade" ia aumentando, e quando certa vez disse que não poderia sair no horário de almoço para estudar, porque algumas pessoas utilizavam esse período para pagar os alugueis, ela logo se ofereceu para receber os mesmos, enquanto eu poderia me dedicar aos estudos para não ser prejudicado. Já imaginam o que aconteceu, não é?

Então, cerca de cinco meses depois, começamos a ter problemas com alguns inquilinos que não pagavam seus alugueis. Fazíamos cobranças - quer dizer, a fulana fazia as cobranças - e ninguém nunca aparecia. Até que certo dia o gerente da imobiliária resolveu ir pessoalmente verificar o que houve e descobriu que muitos dos "devedores" pagavam seus alugueis em dia diretamente à minha amiga generosa. No final, foi descoberto um rombo de mais de R$ 13.000,00. Mas o pior ainda iria acontecer.

Ao ser denunciada e chamada para depor, minha amiga simplesmente declarou que eu era cumplice dela e que metade desse dinheiro estava em minha mão. Nossa, quando soube disso gelei. Como me defender, afinal, a responsabilidade sobre os alugueis era minha, e ela estava recebendo os mesmos como um favor. Foi uma situação horrível no dia em que fui depor na delegacia. Ao chegar em casa chorei tanto, mas orei tanto, que acho que todos os anjos do céu estavam de saco cheio das minhas súplicas. Nos três dias que se seguiram foi um clima muito ruim no trabalho, pois achava que meu chefe iria me despedir por justa causa e toda vez que alguém me olhava, tinha a impressão de que estavam me acusando.

Então, no fim de semana, meu chefe antes de viajar me chamou em sua sala. Fui com as pernas tremendo, sem saber o que dizer, ou melhor, decorando o que diria a ele diante da situação clara que se apresentava a mim. Mas ao sentar na cadeira, ele olhou para mim e disse:

- Cara, tu se meteu numa confusão grande, hein?
Sorri, sem graça.
- E o povo ainda achando que ela estava a fim de você...
Desta vez não sorri.
- Bem, eu vou viajar e passar algumas semanas fora, mas eu já conversei com o Dr. Mario e qualquer coisa que acontecer você liga para ele, certo. Você tem o número dele e do celular. Eu já disse a ele, que se precisar de algum dinheiro para custas judiciais, é só usar a reserva dos honorários que ele possui.


Imagina! Eu achando que seria preso, e meu chefe colocando os serviços do advogado da empresa à minha disposição. Glória a Jeová!

Dr. Mário, então, me explicou que como não havia provas contra mim e já que a história da fulana tinha muitas contradições, meu nome seria retirado do inquérito. Meu chefe, ao voltar, me chamou novamente e apenas me alertou a deixar de otário e confiar nas pessoas. Que nesse mundo de hoje, tem que ficar com os olhos abertos, não confiar em ninguém, tale e coisa e coisa e tale.

Fiquei com fama de ingênuo na empresa. Mas aqui pra nós, melhor fama de otário, do que de ladrão, não é verdade?

4 comentários:

  1. Concordo em genero, numero e grau. Mas, e a fulana? Foi presa?

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  2. Poxa Andrè, nao sabia que voce passou um periodo tao dificil naquela imobiliaria, mas espero que ao menos tenha sirvido de bagagem para a sua vida.
    bjo

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  3. Pois é Nydhe, agora me lembrei, você me indicou aquele emprego... kkkk. Mas teve coisas boas também.

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  4. tem cada coisas que acontece em nossas vidas e que relembrando sentimos raiva de nos mesmos, más isso é bom pois serve de alerta para aprendermos a lidar com os problemas da vida.

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