terça-feira, 31 de julho de 2007

[ Não confiem (sempre) em médicos ]

"Os laboratórios fizeram muita coisa boa pela humanidade.
Em troca de muito, mas muito dinheiro"



Quem diz isso é Peter Rost, ex vice presidente de marketing (?) do Laboratório Pfizer, em entrevista à Revista Época, desta semana. Ele foi demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório, entrou na justiça, e ganhou a causa (U$ 35 milhões) contra a empresa. Apesar de ter sido funcionário da Pfizer, laboratório que produz, entre outros, o conhecido Viagra, Peter diz que as práticas ilegais ocorrem em todos os outros grandes laboratórios conhecidos, tais como a Roche, Glaxo, Eurofarma e Shcering Plough, além dos pequeninos, estes, o pior de todos, pois precisam ganhar mercado dos "gigantes".

Sempre tive a certeza disso. A única coisa que os interessam são os lucros da venda de remédios. Até hoje não entendi o motivo da Glaxo ter parado de produzir o Aerotide Spray, uma bombinha para asmáticos que reunia as duas substâncias completas, que são vendidas em separados no Aerolin Spray e em outro medicamento que não me lembro o nome. Um amigo, aqui da farmácia da rua, disse: "Depois que o Aerotide sumiu, o Aerolin e o "outro" voltaram a vender mais". Detalhe: quem é asmático sabe que enquanto o Aerotide produz uma sensação de alivio respiratório por vários dias seguidos, o Aerolin só consegue produzir alivio por no máximo 24 horas. Resumo da ópera? Quanto menos tempo, mais bombinha terá que usar, e quanto mais usar, mais dinheiro terá que gastar. Portanto, o Aerolin Spray é mais lucrativo que o Aerotide Spray, e isso decretou o desaparecimento do último, creio eu.

Mas onde entram os médicos nisso?


Médicos, assim como qualquer outra profissão, querem ganhar dinheiro. Todos eles são bombardeados, segundo Peter, pelas áreas de marketing desses laboratórios, que costumam agraciá-los com brindes, prêmios e até comissões. Entenderam agora? Algumas vezes, um medicamento é receitado para você, não porque ele é bom, mas porque aquele profissional está ganhando algo por trás daquela receita.

Assim, aí vai algumas dicas, de como não ser "vítima" desses médicos gananciosos, que fazem a vontade de laboratórios inescrupulosos:

1 - Exija um genérico - O Brasil é o país que mais produz medicamentos genéricos. Sempre exija que seu médico recomende um. Se ele não recomendar (ou dizer que não existe), exija que ele coloque pelo menos o nome original na receita. Um farmacêutico poderá lhe indicar outras opções de genérico, ou um mais barato.

2 - Segunda opinião - Sempre que puder, se consulte com mais de um profissional. Sempre tenha uma segunda, ou terceira opinião. As vezes a visão, ou a experiência, de um médico pode ser limitada. Erros médicos acontecem de montão, portanto, nem sempre ache que a opinião do "seu médico" é unânime.

3 - Falácia - É comum dos profissionais utilizar a falácia da profissão. ("Acredite em mim, afinal, sou médico"). Se ele disser que apenas aquele remédio é o melhor, desconfie. Remédios tradicionais costumam não ter patentes exclusivas, pois segundo a Lei das Patentes, a exclusividade só dura no máximo 15 anos.

4 - Brindes, posters, suvenir - De início parece ser normal, mas desconfie de médicos que possuem muitos suvenir com nome de laboratórios (chaveiro, relógio de parede, porta papel, etc) ou posters de remédios colados na recepção. O que ele ganha em fazer essa propaganda?

5 - Amostra Grátis - Tome cuidado, pois é o barato que sai caro. Só é grátis no inicio, e somente para você, pois o médico está ganhando muito, desde o inicio, com essa "indicação".

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