quinta-feira, 19 de abril de 2007

[ Sotaques e Bordões]


Uma coisa que países como Brasil e Estados Unidos tem em comum, são os sotaques. Cada região impera um estilo próprio de dizer coisas e a Bahia tem uma das mais conhecidas e imitadas, mesmo que seja para criticar. Em Brasilia diziam que eu tenho sotaque baiano; chego em Salvador e o povo diz que meu sotaque é de brasiliense. Vai entender? Mas o melhor mesmo é perceber que o sotaque baiano, juntamente com seu dicionário peculiar, é um dos mais interessantes do mundo.

Mas sotaque de verdade quem faz é o povo. Assim como acontece na zona norte do Rio de Janeiro ou no interior de São Paulo, é no subúrbio soteropolitano, que as
pessoas carregam mais na cantada. Parte do sotaque é adicionado ao vocabulário único do baiano, recheados de bordões que a mídia baiana acaba inculcando nas pessoas.

Os programas locais de TV são verdadeiros canais de classe sofrida, e por isso mesmo, líderes absolutos de audiência, às vezes mais do que programas nacionais, para desespero dos intelectuais de plantão. Destes, destaco dois: "Esporte Record" da TV Itapoan (Record) e "Se liga bocão" da TV Aratu (SBT).




O primeiro é apresentado pelo locutor de futebol Silvio Mendes, tradicional das transmissões esportivas da rádio, autor de diversos bordões que de tão ridículos, gruda no ouvido e não sai da cabeça. Na televisão, o jeito despojado dele angariou muitos mais fãs. Nas ruas é comum ver as pessoas repetindo "Solta a anaconda nele" ou "Segure a cabeça de mamãe". Ele divide o programa com um boneco que ele chama de "Pai-tá-nú" e todo dia aparece com o relógio diferente; com a mão no bolso ele mostra o relógio e alfineta pessoas comuns e conhecidas. Nas reportagens externas, sempre tem crianças que imitam o trejeito do apresentador. É hilário e divertido antes de tudo.

Já o Se liga bocão é apresentado pelo bocão Zé Eduardo, que quando saí há 8 anos, era apresentador esportivo da TV Bahia (Globo). Agora faz um programa no estilo do Ratinho. Por fazer muitas caras e bocas não convence muito, porém seu grande trunfo é o repórter-cômico-palhaço-policial chamado Zé Bin. Folclórico, Zé Bin faz reportagens diversas onde sempre reina a patifaria, mas o ponto alto do programa são as reportagens policiais onde ele entrevista bandidos ladrões de galinha e usuários de droga. No final ele pergunta a cada um deles: - E aí, a casa caiu?. Uns respondem, outros não, mas seja como for, é sempre hilário, e acaba virando bordão nas ruas de Salvador.

É cultura inútil para muitos, principalmente cristãos, mas para quem faz sociologia, jornalismo ou trabalha com marketing de comunicação, sabe que programas como estes são objetos de estudo. Outra coisa interessante, é que todos eles, saíram das rádios AM, mostrando, que ao contrário do que alguns declaram, a rádio ainda é um grande veículo de alcance ao público.

Eu gosto da bagunça, da diversão, da patifaria e por isso mesmo, nestes 15 dias que estou aqui, sou um dos responsáveis pelo sucesso absoluto de audiência desses programas. E se não gostou, solto a anaconda em vocês!

Um comentário:

  1. Putz....eita saudade desses programas.........em Junho estarei aí...para aprecia-los.....

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