sábado, 17 de março de 2007

[ Você já foi traído? ]

Se sim, sabe da dor que é ser trocado por alguém ou apunhalado por uma pessoa que você confiava. A dor da traição é talvez uma das mais fortes e marcantes na vida de uma pessoa. Por isso sempre tento ser fiel, na medida do possível, às pessoas que eu gosto e que considero importantes em minha vida.

Mas hoje quero falar de um tipo de traição diferente: traição a Jeová! Um das coisas ditas pelo Escravo Fiel e Discreto que mais marcaram a minha vida foi quando no estudo da Sentinela de 1º de maio de 2002 ("Jeová odeia a traição") no subtítulo "Casamento com alguém descrente", o relacionamento com pessoas que não servem a Jeová foi comparado a uma traição. Sempre soubemos disso, mas a forma como foi colocada despertou minha atenção.

Este mês, no próximo dia 30, completo exatos 1,4 anos que não namoro com ninguém. Alguns dizem que estou escolhendo demais, outros que estou ficando encalhado (como se varões pudessem ficar encalhados na Organização), mas a verdade é que estou escolhendo mesmo. Não vou iniciar um namoro com alguém só porque achei bonitinha. Quando for, será com alguém que eu tenha certeza absoluta que aprendi amar e que desejo que fique ao meu lado for long time. Então, embora algumas vezes apareçam "pretendentes" que alguém sempre quer apresentar para mim, no momento prefiro continuar tranquilo no meu canto.

Mas o mais difícil mesmo é lidar com a pressão do mundo. Trabalho em um cargo de chefia num Call Center com mais de 1.300 operadores de Help Desk, destes 80% de meninas pós adolescentes com os hormônios à flor da pele. Lidero uma equipe de 40 operadores com a mesma proporção feminina. Lido todos os dias com cantadas, conversinhas de duplo sentido, "alguém que quer saber qual o meu caso" e coisas assim. Não que eu seja bonito, mas sabemos que no mundo, homem que não é descarado e dando sopa, é coisa rara até mesmo para algumas mundanas que desejam casar como qualquer outra. Como lido com isso? Arduamente!

Não que eu seja a pessoa mais certinha do mundo, longe disso, mas porque toda vez que meu coração tenta me enganar, me lembro das palavras da revista acima mencionada. E não é fácil; às vezes você entra num momento de carência adicionada com a sexualidade masculina que costuma aflorar numa facilidade grande e você acaba tendo pensamentos impuros. Tem garotas que às vezes sabem dizer a palavra certa que desperta seus desejos e é neste momento que sua fé é testada. Aí torço logo que chegue o horário do almoço, porque neste momento me encontro com Jessica, Roberto e Joseval (três irmãos que trabalham no mesmo bairro) no Restaurante do SESC, começamos a conversar coisas da Organização, fofocamos às vezes, e meu ponto de equilíbrio retorna ao lugar. Aliás, desde que decidimos fazer oração coletiva no restaurante, as coisas melhoraram muito.

Uma vez, tive uma paixonite por uma pessoa. Fiquei totalmente encantado, até porque ela era evangélica, e portanto, tinha alguns princípios bíblicos, mesmo que deturpados. Era especial, carinhosa, atenciosa, parecia que tínhamos uma química perfeita um para o outro, às vezes passávamos horas conversando sem perceber o tempo passar. Foi um dos momentos mais difíceis de minha vida, porque em determinado momento cheguei a pensar "porque não?".

Mas como Jeová é maravilhoso e sabe nos socorrer na hora certa, nos momentos de perigo, um dia Jéssica apareceu no restaurante justamente com a revista que falava sobre a traição. "Pra que essa revista?", perguntei. "É pra levar para uma amiga minha, que está se envolvendo com um rapaz lá na faculdade...".

Então eu, Roberto, Jessica e Joseval começamos a falar sobre o assunto: pessoas que casaram com descrentes e se arrependeram, o estilo de vida que eles levavam, a culpa, a consciência, derrepente começamos a falar nas coisas que perderíamos, na associação com os irmãos, na decepção nos olhos de nossos pais, de irmãos que confiavam na gente, lembrei dos momentos de alegria como o batismo, o primeiro discurso, enfim, uma conversa ótima o suficiente para colocar meus pés no chão mais uma vez. Plagiando o Rei Davi, percebi que o amor que eu sentia por Jeová e seu filho Jesus Cristo era mais agradável do que o amor das mulheres. Eu não ía ser o responsável por fazer Jeová sentir da dor da traição.

Ainda continua sendo difícil como é para muitas pessoas. Mas se você se deixa levar pela primeira tentação que chega à sua frente, como você pode dizer que ama a Deus de verdade?

3 comentários:

  1. André, parabéns pela sua perseverança, satanás conhece nossos pontos fracos e tenta nos enlaçar os utilizando. Continue assim .... não desista!
    Que pena q tem alguns q pensando somente no "momento" ou seja, na satisfação imediata, acabam cedendo às tentações e gerando muitas tristezas... principalmente a Jeová!
    Abraço.

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  2. Mto bom o seu post de hj!!!!
    Puxa, qtas vezes já me senti assim como vc.

    As vezes vc encontra no mundo uma pessoa que diz a palavra certa, na hora certa, do jeito certo, que tem a quimica perfeita, enquanto que na organização mtas vezes nao achamos isso (ou achamos que nao achamos).
    Quantas irmãs mais velhas ou bem mais velhas continuam solteiras,enquanto os irmãos continuam escolhendo as mais novas e as mais bonitinhas (infelizmente isso é fato).
    Não sei qto a vc, mas tenho visto muitas coisas alarmantes por parte dos irmãos/irmãs, mas mesmo assim, não podemos trair a Jeová.
    Obrigada por me fazer recuperar o equilibrio e saber que não sou a única a sofrer desse mal,
    Vou ler esse artigo.

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  3. Um defeito, meu, eu simplesmente não consigo ficar quieto, não aguento apenas ouvir e não conversar, talvez isso que tenha me afastado das reuniões, quero dizer, afastado não, mas tenha me impedido de ir.

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