quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

 PLURIBUS E O PARAÍSO




Se você é um seriemaníaco, com certeza já deve conhecer "Plúribus", nova série da Apple+ (mais uma, né?). Se não conhece, vou explicar em poucas palavras a premissa dela:

A história gira em torno de Carol, uma escritora em crise com o próprio sucesso — apesar de vender bem, ela acha sua literatura superficial e pouco interessante. Esse conflito já marca bem sua personalidade: Carol soa ingrata, crítica, insatisfeita e, ou seja, bem chata.

Tudo muda quando um vírus alienígena atinge a Terra e transforma grande parte da população em uma espécie de mente coletiva, totalmente voltada para o bem comum. Essa comunidade alienígena não mente, não mata e não deseja mal a ninguém - nem mesmo aos seus únicos inimigos: as 13 pessoas que não foram infectadas, entre elas Carol. E é justamente ela quem decide que precisa encontrar um meio de deter essa entidade coletiva… mesmo que eles não representem o tipo de ameaça que normalmente se espera de uma invasão alienígena. A série ainda está no meio... e ainda tem muitas teorias conspiratórias para se chegar até o fim dela. 

Mas o que Plúribus tem a ver com o Paraíso

Certa vez, numa daquelas tardes preguiçosas em que eu sentava com minha mãe só pra jogar conversa fora, perguntei como ela imaginava o Paraíso.

Ela respondeu: "Um lugar de paz, de união, sem ódio, sem rancor, sem violência… onde todos teriam um único objetivo: adorar a Deus e viver para Ele."

Então eu retruquei: "Mas mãe… e se alguém fizer algo errado? E se cometer um deslize?"

Ela disse que isso simplesmente não aconteceria, porque todos teriam esse único propósito: adorar a Deus e viver felizes no Paraíso. Eu sei que pequei, mas não consegui evitar pensar: 

"Nossa… que vida mais chata."


PARAÍSO DE TODOS

O pior é que agora assistindo a série, vendo os alienígenas todos bonzinhos, se esforçando em serem bem vistos e administrando a humanidade sem guerra, sem ódio, sem mentir, sem rancor ou brigas, fico me perguntando se será que esse não seria a melhor solução? Porque, intencionalmente, ou não, a protagonista é justamente a pessoa que mais traz sentimentos antológicos, justamente por causa de sua antipatia. Nem sempre vemos ela como heroína da série justamente porque os "plúribus" são felizes, bons e extremamente bondosos, o que acaba nos conquistando.

E aí começo a perceber que a série cutuca uma ferida que a gente raramente admite, de que talvez a gente diga que quer um mundo perfeito, mas detestaria viver nele. O tal Paraíso prometido seria um evento de chatisse a vida toda. A perfeição cansaria, sufocaria, tiraria a graça - porque, no fundo, o que nos move é justamente o conflito, o tropeço, a liberdade de errar. E Carol, com toda sua rabugice, vira quase um espelho distorcido da humanidade porque no fundo somos um pouco como ela, ou seja, a gente prefere viver no caos, mesmo que esse caos seja nosso, do que na perfeição manipulada por outros.

Porque, vendo "Plúribus", percebo que existe algo estranho nesse conceito de perfeição contínua. Se não existe erro, arrependimento, superação, conflito - sobra o quê? Rotina? Um looping eterno de “tudo está bem”? Será que nós, humanos, fomos feitos para uma vida sem contrastes? Ou é justamente a imperfeição que dá cor, textura, profundidade ao que vivemos?

Enquanto os “plúribos” vivem em harmonia, a série deixa uma pulga atrás da orelha: será que a paz absoluta só existe ao custo da autonomia? Será que viver sem dor também significa viver sem escolha? Meu Deus! Vou ficar louco!

Minha mãe talvez respondesse que isso é apostasia demais pra uma tarde de preguiça e mandaria eu orar mais pra Jeová me dar juízo. Mas eu continuo pensando que, se o Paraíso fosse uma versão divina de Plúribus, então talvez eu seja mais parecido com a Carol do que gostaria. Mesmo atualmente não gostando nada dela (calma, ainda estou no episódio 5).

E é por isso que assistir à série tem sido tão perturbador e fascinante ao mesmo tempo. Ela brinca com esse desconforto moral que a gente evita olhar, como se dissesse: “Você tem certeza de que quer mesmo o mundo perfeito que vive pedindo?” E enquanto a história avança, começo a suspeitar que o verdadeiro conflito não é entre humanos e alienígenas - é entre a nossa fantasia de perfeição e o caos que faz a vida valer a pena.

E isso mexe comigo, porque não quero duvidar daquilo que aprendi, mas também não consigo ignorar o desconforto. Será que o Paraíso exige que deixemos de ser quem somos hoje? Será que nossa humanidade (com falhas, emoções intensas, paixões, escolhas tortas)  teria lugar num mundo onde nada sai do trilho? Onde tudo é perfeitamente controlado para dar certo?

"Plúribus" me faz pensar que talvez a paz absoluta não seja o problema… talvez o problema seja imaginar que, para alcançá-la, precisaríamos abrir mão do que nos torna únicos. E, entre ser perfeito e ser humano, ainda não sei qual escolha faz mais sentido. Talvez o Paraíso não seja chato - talvez eu só não tenha entendido ainda como seria viver num mundo onde a perfeição não elimina a personalidade. Ou talvez… a graça esteja exatamente nessa tensão que nem a ficção, nem a fé, conseguem resolver por completo.


terça-feira, 14 de outubro de 2025

E NO TERCEIRO DIA, O BLOGGER RESUSCITOU

Na verdade, na tericeira década né?

Não sei se, em pleno 2026, as pessoas ainda dedicam tempo para ler um blog, mas eu tenho um motivo especial para fazer isso. Hoje faz exatamente vinte anos desde que fui desassociado. Fui por decisão minha. Já estava inativo desde 2013 e, na época, procurei o corpo de anciãos — mais para atender ao pedido da minha mãe do que por convicção própria. Ela queria que eu confessasse meus erros e voltasse “limpo”, “alvo mais que a neve”, como dizia com ternura, citando o Salmo 51:7.

Mas, assim como eu, minha mãe era muito ingênua. 
Ela acreditava de todo o coração que podia confiar em homens que diziam servir a Deus. Como os anciãos. Eu também acreditei nisso por um tempo. Só que, com o passar dos anos, fui percebendo o quanto é perigoso depositar nossa fé em seres humanos. Não que eu tenha algo contra a todo e qualquer ancião. Mas vivi tempo suficiente, sendo quase escolhido pra servir como ancião também, pra saber como algumas coisas funcionam. Ainda bem que as Congregações são comandadas por um corpo, se fosse só um ancião, as coisas seriam mais feias do que eram na minha época. 
O profeta Jeremias já havia nos alertado sobre isso há séculos, quando disse que não deveríamos confiar no homem terreno. Eu só não imaginava que essa advertência também se aplicava àqueles que, em teoria, deveriam refletir o amor e a justiça de Jeová.
Hoje, olhando para trás, entendo que minha decisão não foi apenas um afastamento religioso — foi um despertar. Um processo doloroso, mas necessário, para entender que a fé não pode ser terceirizada, nem medida pela aprovação de um grupo. Ela é algo íntimo, entre a alma e Deus.
Minhas irmãs continuam servindo fielmente a Jeová. Minha sobrinha cresceu — já está até namorando.
Com as recentes mudanças nas orientações sobre como tratar os desassociados, ou melhor, agora chamados de removidos da congregação (um artifício jurídico para evitar implicações legais, mas que, no fim, significa exatamente a mesma coisa), algumas coisas voltaram à minha memória.
Meu irmão também continua firme na organização, mas estamos bastante afastados. Não sei qual é a visão dele hoje; às vezes, percebo nele um certo ar de arrogância espiritual. O fato é que, antes, já nos desentendíamos por causa da forma como ele obrigava minha mãe a me tratar como desassociado — inclusive a ponto de proibi-la de me hospedar em sua casa quando eu ia a Salvador. Depois da morte dela, nosso distanciamento se tornou definitivo.
Mas, justiça seja feita: quando tive um princípio de infarto em 2022 (sim, eu tive… vacinas!?), ele me deu algum apoio — algo que não recebi de outros amigos, além das costumeiras palavras bonitas nas redes sociais.
No fim das contas, é assim: ele fica na dele, eu fico na minha. Mas, se um dia um de nós precisar do outro, tenho certeza de que a ajuda virá.
Não vou remoer as coisas que me fizeram afastar das Testemunhas de Jeová. Fui afastado por pessoas que não se preocuparam em ser “pedra de tropeço” no meu caminho — e, pior, quando comecei a me distanciar, em vez de ajuda, o que recebi foram críticas. As pessoas me viram afundar e não estenderam a mão.
Por outro lado, não quero me vitimizar. Meu coração já estava consumido pelo ódio de me sentir traído e enganado. Naquele momento, nada que dissessem seria capaz de me fazer mudar a decisão de casar com uma pessoa de fora da organização.
Nesse período, muita coisa aconteceu comigo. Me formei em Teologia Sistemática e, depois, concluí dois cursos sobre História Hebraica e História da Igreja Primitiva. Esses estudos abriram minha mente para muitas coisas que são ensinadas. Inclusive, descobri — mesmo sem que queiram ser mencionadas — que as Testemunhas de Jeová compartilham algumas ideias do grupo ariano da época dos Patrísticos. Pesquisar sobre Ário e como ele foi derrotado pela teologia da Trindade de Orígenes é, para mim, um estudo pessoal fascinante. Vocês deviam fazê-lo.
Hoje, me considero cristão. Continuo me dirigindo estritamente a Jeová, o único Deus Todo-Poderoso, em minhas orações, por intermédio de seu Filho, Jesus. Se Ele me ouve — e eu sei que sim — ou não, não cabe a você decidir. Não defendo "bandeira" de igreja e nem qualquer organização religiosa, pois entendo que a verdadeira religião estabelecida por Jeová e por Cristo não está em um “templo feito por mãos” (Jeremias 29:14; Atos 17:24).
No entanto, admiro alguns pregadores, gosto de alguns debates e me permito congregar em algumas igrejas onde encontro pessoas boas, dispostas a serem minhas amigas e a fazer o bem. Afinal, só quem gosta de ser maltratado é quem tem problemas psicológicos ou falta de autoestima.
Bem... é sobre isso. Acho que vou aproveitar pra ler as coisas que eu escrevia há 20 anos atrás, verificar se ainda mantenho as mesmas opiniões, se algumas outras mudaram, enfim, vai ser uma boa leitura.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

TRANQUILOS, SAFADOS e DESESPERADOS


Quando você chega na fase dos 40 anos e está solteiro, parece uma praga, mas todos seus amigos e amigas acham que precisam arrumar uma namorada para você. É um tal de "conheço alguém que você vai amar" ou "aquela pessoa é muito boa pra você" que repetem sempre os mesmos clichês de sempre e desembocam em pessoas que normalmente possuem uma coisa em comum - coitadas!: estão carentes ou desesperadas por um relacionamento. 

Mas qual o problema disso? Todos não tem o desejo e sonho de encontrar sua cara metade, aquela pessoa que vai te fazer sentir borboletas no estômago e finalmente viverem felizes para sempre? SIM! Claro. 

Eu acredito que um dia deverá aparecer alguém que removerá do meu coração esse vício atual que tenho pela minha liberdade e privacidade. Mas se um dia isso ocorrer, será de forma natural e eu terei a prerrogativa sobre isso. 

"Ah, André, isso é papo de quem sofreu". Muitas coisas do que acredito hoje advém de relacionamentos frustrados e malfadados? Talvez. Mas esse é não o mote da vida? Aprender com os erros e amadurecer para não cometê-los novamente? 

Não sou a melhor pessoa para dar conselhos amorosos ou matrimoniais. E nem tudo foi ruim. Fui casado por quase seis anos e terminamos da forma mais frustrante possível.  Depois disso tive mais dois relacionamentos sérios. Um deles com uma pessoa especial, que temos um carinho muito grande um com outro e somos amigos até hoje. Depois, um noivado, que também terminou de forma frustrante, quase na mesma época de uma falência financeira e da morte de minha mãe, que me trouxe traumas pesados. Foram longos dois anos de ajuda emocional de amigos, uma psicóloga paciente e alguns remédios relaxantes. 

Mas nem tudo foi frustrante. Tive alguns relacionamentos rápidos na minha vida, muitos deles marcantes e que também são pessoas que cultivo a amizade até hoje. 

Viram? Nem tudo é dor e sofrimento. Tudo é libertação. 

Por isso criei uma ojeriza por relacionamentos superficiais. Sexo a gente encontra fácil se procurar, mas relacionamentos de verdade é como procurar um pérola em alguma ostra no meio do oceano. 

Por isso mesmo estabeleci uma teoria sobre o assunto e vou compartilhar com vocês. Não tem nenhum embasamento científico. É só uma ideia. Concordem, ou não, aí vai ela. Dividirei as pessoas em três grupos: TRANQUILOS, SAFADOS e DESESPERADOS.

O primeiro grupo é o supra sumo do êxtase do auto conhecimento. O Tranquilo está consciente de suas necessidades e desejos. Ama sua liberdade de tomar decisões na vida sem ter que dar satisfações para ninguém. Adora manter sua privacidade e suas loucuras e manias bem distantes dos incomodados. Curte seus hobbys e prazeres. Quando está solitário sabe que seus amigos poderão preencher esse espaço. Raramente estão carentes e quando estão com tesão, bem, percebe que o sexo não é a coisa mais importante na vida e que isso pode ser remediado. O Tranquilo pode até querer alguém ao seu lado, mas espera que isso ocorra de forma natural. E detesta quando alguém tenta fazer isso por ele. 

Os Safados tem muita coisa dos Tranquilos. A única diferença é a forma que lidam com sexo. Idolatram o sexo por tudo e adoram o poder da sedução. Enquanto os Tranquilos possuem o valor da responsabilidade afetiva, o Safado não está nem aí. Ele quer seu corpo, sua mente, sua atenção. Eles querem apenas o prazer e estão disposto até a magoar por isso. Ame-os ou deixem-os, mas se preferir continuar, saibam os riscos. 

E por fim chegamos aos Desesperados. A pessoa desesperada por relacionamento é um perigo. Ela não quer alguém, ela quer estar com alguém, seja ela quem for. Ela não busca alguém em especial, mas por qualquer um que banque a sua carência por relacionamento. 

Um filme nacional que assisti resume bem isso. "Os homens são de marte e é pra lá que eu vou". O filme fez muito sucesso de público, mas não precisa dizer que feministas e mulheres independentes odiaram. E com toda razão. 


A protagonista é Fernanda, uma mulher de 39 anos que está desesperada porque chegará aos 40 solteira! Então ela entra numa jornada de ter que achar um relacionamento a qualquer custo pra surprir essa carência. E assim ela vai conhecendo vários homens - e depois se decepcionando com eles, obviamente - e se frustrando cada vez mais. Até que encontra um homem, e pra variar casa com ele, só para no segundo filme "Minha vida em marte" perceber a besteira que fez e chegar ao ápice do auto conhecimento. Ela finalmente descobre que não precisa de um relacionamento pra ser feliz, e que se isso acontecer, será bem vindo e acontecerá naturalmente.

A pessoa desesperada, quando consegue o objeto de desejo - seja casar ou ter um lar - descobre pouco tempo depois os defeitos que ela não percebeu no momento de deslumbre. Todo mundo sabe que mesmo após anos de namoro, a vida de casado reserva surpresas que põem em risco qualquer casamento. Imagina uma pessoa que nem estava preocupada com isso? O resultado são casamentos desfeitos, corações machucados e textões nos facebook. Porque o foco não era no amor. Não era a pessoa. Era apenas surprir a carência.

No ambiente religioso é pior ainda. Mistura-se a carência com a pressão de líderes religiosos e de "marias futriqueiras" de que você deve casar, casar e casar. E logo! Pressionam meninas de 18 anos a isso, quiçá, mulheres depois dos 30. E assim, seja por carência, sexo ou pressão religiosa, casam de qualquer jeito. E as que estão solteiras, pensam estar numa "competição" da qual se elas também não fizerem o mesmo, serão relegadas. 

"Ao menos que a outra pessoa também seja uma pessoa carente, 

ninguém gosta de se envolver com desesperados por relacionamentos"


O homem, especialmente, gosta do processo de conquista. De saber que a sua amada está com ele, por que é ele. Agora, imagina uma mulher que está com você, mas poderia estar com João, Pedro ou Caetano, porque daria na mesma coisa, uma vez que seu desejo era apenas casar e ter um relacionamento? É igual aquele meme do cara que se achava especial, porque a mulher o chamava de "vida" e depois ele descobre que ela chamava todos os amigos do mesmo jeito. 


"Valorize-se garota. 

A vida é muito mais do que um relacionamento"


Eu falo isso, primeiro por ser homem e estar vivendo justamente essas situações conflitantes e constrangedoras. E também por ver muitas amigas passando por situações que não mereciam estar passando, especialmente sendo tachadas de encalhadas ou solteironas. Vocês são lindas! Vocês são guerreiras. 

Viva a vida e quando menos você perceber, as coisas acontecerão...  

Hoje tenho apenas uma preocupação: curtir a minha vida sem se preocupar com mais ninguém. É meio egoista, um pouco narcisista, mas acreditem, é muito bom! 


PS: Um livro que eu tive a oportunidade de ler, há muito tempo, chama-se "A Bonitona Encalhada" de Laura Henriques. Alguém deu de presente para minha enteada, e eu acabei lendo e me surpreendendo. Uma leitura divertida que serve para mulheres de qualquer estado civil. 


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

IMAGEM DE JESUS

Especialista em efeitos especiais, o fotógrafo holandês Bas Uterwijk usou inteligência artificial para criar uma imagem hiper-realista de como seria Jesus. O retrato faz parte de um projeto do artista que busca dar rosto a figuras históricas. Primeiro rosto que vejo que realmente faz sentido.

domingo, 13 de setembro de 2020

VOCÊ SE PREOCUPA COM AS APARÊNCIAS?

Se há algo na Organização de Jeová que é bastante interessante, e influencia bastante a vida de cada Testemunha, é o quão importante é as aparências.

Os membros que se tornam covertidos depois de adultos, aprendem rápidos, que para ser cristão é necessário manter uma vida digna de seu Nome, ser exemplo e não falhar nisso jamais. 

Os que "nascem" na Organização, sem opção de escolha, sofrem mais, pois desde pequenos são obrigados a seguir "normas justas" que definem a verdadeira organização de Jeová!!! Sem nenhum esclarecimento justo são proibidos de festejar aniversário, participar de feriados, ir na festa do amiguinho da escola, e assim, vivem alienados da sociedade por imposição.

Beber pode, sabemos disso!, mas... não beba em bares ou à visão das pessoas comuns, afinal, isso pode trazer vitupério à organização de Jeová. Sua vida precisa ser maquiada, afinal, precisamos dar BOM TESTEMUNHO!

Toda vez que lembro dessa máxima, sempre me volto pra Jesus. Jesus tava CAGANDO E ANDANDO pra "bom testemunho". Vamos lá, ele violou várias vezes as lei sagrada do sábado, andou com beberrões, cobrador de impostos, prostitutas e fariseus. O que achavam dele, era problema seu! O importante era fazer a vontade de seu Pai. (Mateus 11:19) 

Comecei a frequentar as Testemunhas de Jeová com 18 anos, depois de morar com meu tio por 7 anos, presbiteriano. Foi um choque de cultura! E uma das coisas que mais me incomodava em ver nos meus novos irmaos jeovistas era a preocupação com o que as pessoas iriam pensar deles, se fossem vistos bebendo, torcendo prum time de futebol ou ouvindo o bom e velho rock´n´roll. Eu não conseguia entender isso? Ser cristão é se esconder do mundo e fingir que não fazer algo pra ser visto pelas aparências?

Se eu questionasse, logo tinha um texto pronto pra isso: 1 Corintios 10:31-33;

"Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam todas as coisas para a glória de Deus. Não se tornem motivo de tropeço para judeus, nem para gregos, nem para a congregação de Deus, assim como eu estou tentando agradar a todos em todas as coisas, não buscando a minha própria vantagem,
 mas a do maior número de pessoas, para que sejam salvas."


Quem sou eu para questionar tio Paulo!!! Mas vamos lá? Afinal, a Bíblia é única e precisamos encontrar um contexto pra ela, certo? Analisando algumas ações de Jesus Cristo, percebemos que ele se preocupava em fazer a vontade de seu Pai, Jeová Deus, mas não dos homens! Os homens que se lascassem!!! (O grifo é meu)

Jesus xingou os fariseus e saduceus, fez milagres no sábado, andou com beberrões, prostitutas e afins, e não estava nem aí para o que se dizia dele, afinal, SUA VONTADE ERA APENAS SERVIR A JEOVÁ E NUNCA DECEPCIONÁ-LO. 

Desta forma, fica evidente, que o servo humano de Deus, imperfeito e que jamais chegará a plenitude por si só (Romanos 3:12) não deveria ficar preocupado com o que pensa o homem. Sua visão deve ser apenas o de fazer a vontade de Jeová Deus, e de Seu filho, Jesus. 

Viva sua vida. Mas vida sua vida para agradar a Cristo e seu Pai Jeová. Dane-se para o que pensam sobre você. Dan-se se alguém te julga errado. DANE-SE! Quem tem que saber quem você é Deus! 
  
"Mas Jeová disse a Samuel: “Não olhe para a sua aparência nem para a sua altura,+
 pois o rejeitei. Porque Deus não vê como o homem vê; o homem vê a aparência, mas Jeová vê o coração.” (1 Samuel 16:7)
 
Depois de ler esse texto, porque você se preocupa com vizinho, colega de trabalho, irmã que se mete na vida dos outros, anciãos, servos ministeriais...??? 

QUEM CONHECE VOCÊ É O DEUS TODO PODEROSO! (Jeremias 1:5,4; Salmo 139:1-24)(

O resto é apenas resto. Vai por mim!









segunda-feira, 3 de agosto de 2020

CALVINISMO vs ARMINIANISMO: COMO LHE ATINGE?


Embora Martinho Lutero seja considerado o pai da reforma protestante, contudo, os pilares da igreja cristã atual é sustentado por dois teólogos que, sozinhos, estabeleceram os princípios de praticamente todo cristianismo moderno. Seus ensinamentos se refletem em uma batalha ideológica sem fim.  De um lado os frios e intelectuais que tem JOÃO CALVINO como mestre; do outro, os quentes e pentecostais - que às vezes nem sabem disso - que defendem o legado deixado por JACÓ ARMÍNIO.

Quem foram eles? Quais são seus legados defendidos até hoje por todas as igrejas cristãs. E como isso lhe atinge de alguma forma?


QUEM FORAM ELES?


João Calvino estabeleceu os pilares das doutrinas das igrejas reformadas no século 16,
mas coube a Jacó Armínio combater as ideias que passavam a visão de um Deus ditador e injusto,
dando inicio a uma discussão que perdura até os dias de hoje.


Dando uma rápida pincelada, João Calvino foi um teólogo cristão francês que teve uma influência muito grande na interpretação da Bíblia logo após Martinho Lutero protestar com suas 95 teses, contra a Igreja Católica em 1517. Antes de Lutero, a Bíblia era um livro restrito aos sacerdotes católicos e alguns grupos cristãos, que insistiam em manter e ler as Escrituras e por causa disso eram considerados hereges e queimados como bruxas pela Santa Sé. 

Calvino, que tinha apenas 8 anos quando Lutero pregou suas teses, também era um sacerdote católico, mas só se dissociou de Roma em 1533 quando resolveu publicar também sua visão baseada em seu estudo das escrituras. Foi perseguido pela Igreja Católica na França e para não ser queimado na fogueira, em 1536 foi obrigado a fugir para Genebra, Suíça, onde disseminou seus ensinamentos que se tornaram mais populares do que os do próprio Martinho Lutero. 

Calvino, assim como Lutero, não tinha interesse em formar uma nova religião, mas apenas direcionar o caminho que ele considerava correto dentro das Escrituras, e fazer com que ela chegasse às mãos do mais humilde do povo. As traduções bíblicas de Lutero e Calvino são as mais populares, até hoje, em toda a Europa. 

Jacó Armínio, por sua vez, foi um teólogo que nasceu nos Países Baixos em 1560. Órfão, fora criado por um pastor protestante do qual obteve sua base cristã e mais tarde estudou na escola protestante de Utrecht, Países Baixos. 

Naquela época o calvinismo já era a base de toda igreja protestante na Europa, que inclusive, e de forma irônica, utilizava intimidações tão parecidas com o que a Igreja Católica usava para lidar com aqueles que consideravam hereges, inclusive, condenando estes à morte Tentando combater essa influencia, os britânicos, que já tinham sua própria igreja - Anglicana - buscavam alguém que pudessem questionar, de forma didática e consistente, as doutrinas calvinistas. 

É nesse cenário que Jacó Armínio aparece e nos primeiros embates com calvinistas, acaba chamando a atenção dos maiores teólogos da Europa. O Sindicato dos Mercadores de Amsterdã, na Holanda, que tinham membros anglicanos, acaba convidando e financiando os estudos de Armínio na Genebra, onde se torna professor e um dos maiores nomes da teologia.

Armínio era o único que conseguia debater com um calvinista, refutando texto a texto, algo que ninguém antes tinha habilidade em fazer. Com o tempo os ensinamentos de Armínio se tornaram tão importantes que foi abraçada por muitas igrejas protestantes tradicionais, e com o apoio da coroa britânica, acabou substituindo as doutrinas das igrejas anglicanas e demais protestantes no Reino Unido. 

A influência de Armínio foi tão grande, que para combatê-lo, os pastores calvinistas se reuniram em Dort,  lançaram um manifesto que estabelecia os 5 pontos da fé calvinista, conhecida hoje pelo acróstico TULIP, que é formada pelas iniciais dos cinco pontos, em inglês:




CALVINISTAS - JESUS MORREU POR ALGUNS

A guerra santa travada por calvinistas e arminianistas estão atreladas diretamente a questão de como a salvação funciona. Ela questiona ainda o que a Bíblia estabelece como vontade de Deus (soberania) e o poder de escolha do homem (livre-arbítrio) em ser salvo, ou não.

O calvinismo parte do princípio de que Deus é soberano sobre todas as coisas, inclusive, da vontade do ser humano. O ser humano já nasce com o pecado e destituído da glória de Deus (Depravação Total). Portanto, o homem só pode ser salvo se assim Deus quiser. Ele decide quem será salvo, ou não, já a partir do nascimento deste usando de toda Sua presciência (Eleição Incondicional). 

O negócio encrespa quando o calvinismo entra na seara do livre-arbítrio, ou seja, a de que o homem não tem controle sobre sua vida no que se refere a salvação. Deus já previamente escolheu os que vão ser salvos (os eleitos), e esses não tem poder para resistir ao Seu espírito santo (graça irresistivel). Uma vez escolhido, ele é salvo pra sempre (Perseverança dos Santos). 

Um dos princípios dos calvinistas que mais chocam os desavisados é  sobre a morte de Jesus. Como a expiação é limitada, o calvinista defende que Jesus não morreu por todos, mas apenas pelos já previamente escolhidos por Deus para serem salvos. Eles alegam que como existem muitos que não serão salvos, dizer que Jesus morreu por todos é um erro e desonra a soberania de Deus. Foi batendo contra essa tecla, que o arminianismo acabou atraindo mais gente pro seu lado...


ARMINIANISMO - JESUS MORREU POR TODOS

Os arminianos refutavam os calvinistas por acreditar que eles ensinavam sobre um Deus injusto e tirano. Consideravam as execuções de hereges praticadas por igrejas calvinistas em nome de Deus - como no caso dos Anabatistas que eram perseguidos - não eram diferentes das caças às bruxas promovidas pela Igreja Católica. Além disso o ato de estabelecer que apenas os mais influentes da cidade como aristocratas, comerciantes ricos e políticos eram os eleitos, fez do protestantismo uma nova religião de castas sociais elevadas, que continuava deixando o povo de lado, que era o objetivo inicial tanto de Lutero como de Calvino em se aproximar. 

Tirando o conceito de que o homem nasce pecador, Armínio discordava de todos os outros pontos da TULIP. Armínio aceitava a soberania de Deus, de que todos são pecadores e que ninguém consegue se salvar por esforço próprio, contudo Deus, em sua misericórdia, nos oferecia a salvação e permitia que o homem se esforcasse em obtê-la, ou seja, ele tinha o livre-arbítrio,  mesmo que em todo Seu poder Ele já saiba quem no fim será salvo, mas não que Ele tenha escolhido previamente. 

Com isso Armínia acabava com o conceito da graça irresistível, pois o homem poderia ser tão mal que não desejaria fazer a vontade de Deus. E podendo o homem se desviar dos caminhos de Deus, Armínio também destruia o conceito da perseverança dos santos.


NOS DIAS DE HOJE 

Os irlandeses e holandeses que migraram para a América, eram todos cristãos arminianos, e foram eles que com o tempo criaram a identidade protestante dos Estados Unidos. No inicio do século passado, foram estes que criaram o movimento do novo avivamento que faria surgir as igrejas pentecostais Assembly of God, que mais tarde influenciaria a maioria das igrejas evangélicas nas Américas, além das Igrejas Batistas nos Estados escravagistas do sul, que ao unir o cristianismo com o tribalismo dos escravos, criaria o movimento pentecostal dos nossos dias. Além, claro, da música gospel que influenciaria a música negra nos Estados Unidos!!!  

A grande maioria das igrejas cristãs de hoje tem nos princípios de Jacó Armínio seus fundamentos e nem sabem disso. 

O calvinismo por sua vez ainda é abraçado por igrejas tradicionais importantes como as Luteranas, Presbiterianas e Batistas Tradicionais (Conhecidas como PIBs, primeira igreja batista). 

Curiosamente, hoje em dia as igrejas calvinistas são as que mais incentivam o estudo da bíblia e entendimento dela, enquanto as pentecostais ensinam que a Bíblia é importante, mas a experiência com Deus é maior, e assim são as maiores responsáveis pelas famosas profetadas e heresias como o retété. 

De modo que temos de um lado os calvinistas em sua arrogância espiritual por se acharem letrados nas Escrituras e de outro, a galera do "aleluia ermões" e "decantas labaxeiras" que quando confrontados por meio da Bíblia, fogem dizendo que "a letra mata, mas o espírito vivifica".


TESTEMUNHAS DE JEOVÁ CALVINISTAS OU ARMINIANAS?

As Testemunhas de Jeová entram, mais ou menos, lá pelo quinto e sexto semestres das aulas de Teologia. Ao contrário do que muitos pensam, Teologia não questona doutrinas, mas apenas destrincha a história da religião.

Adventistas, mórmons e muitas outras religiões cristãs - que curiosamente são chamados de seitas até mesmo por religiões que surgiram anos depois - todas nasceram pela liberdade religiosa proporcionada pela influência do arminianismo nas igrejas. 

Ocasionalmente João Calvino sempre fora bem mencionado nas publicações do Corpo Governante, assim como Jacó Arminio. Isso me chamou a atenção durante um tempo, especialmente por ter minha base bíblica iniciada dentro da Igreja Presbiteriana, quando criança. 

Ironicamente, vou fazer aqui uma provocação, baseada nas informações acima.  As Testemunhas de Jeová pega carona em muitas coisas pregadas por Calvino e por Armínio. Eu costumo dizer que ela é calvinista quanto aos ungidos e arminiana com relação aos da "outras ovelhas". 

SENDO CALVINISTA...
  • Jesus morreu por todos, mas especialmente para os 144 mil ungidos. 
  • Os ungidos são pré eleitos por Deus.
  • O eleito pra ser ungido não pode resistir a esse chamado. 
  • Uma vez ungido, ungido pra sempre. 
  • As cartas de Paulo, Pedro e Apocalipse são direcionados especialmente aos ungidos; os da outra multidão são apenas coadjuvantes.  

SENDO ARMINIANA...
  • Eles não são pré-eleitos e possuem livre-arbítrio
  • A graça - benignidade imerecida - não é resistivel.
  • Ele pode perder a salvação por qualquer coisa, inclusive, se não concordar com o Escravo
  • São das "outras ovelhas", ou seja, coadjuvantes em todo o processo.  
Sei que serei xingado até as últimas consequencias por aqueles que não gostam de raciocinar e acha que tem que receber tudo bem mastigadinho do Corpo Governante. Não estou dizendo que acredito nas afirmações acima. É UMA PROVOCAÇÃO! Tentem rechaçar minhas afirmações. 

É uma forma de estudo bíblico. Muito melhor do que ficar só lendo artigo de estudo de A Sentinela, e achar que fez seu estudo pessoal. 


terça-feira, 7 de abril de 2020

COMEMORAÇÃO, NÃO ASSISTI... E AGORA?




A Comemoração da Morte de Cristo, foi realizada em todos os salões das Testemunhas de Jeová neste dia 07/04/2020. Correto? Errado! Devido a restrições governamentais por conta do Corvid-19, reuniões foram proibidas em muitos países, inclusive, aqui no Brasil.

Eu frequento uma congregação junto com um amigo que foi desassociado recentemente, porque voltar sozinho é muito difícil. Então decidimos ajudar um ao outro. O problema é que a Congregação que frequentamos não lembrou de nós. As reuniões "on line" foram disponibilizadas apenas para os irmãos ativos. Mas isso não é problema, assisto as reuniões "on line" de congregações que não fizeram reuniões restritas.

Mas quanto a Comemoração, vou ser sincero, não assisti. 

Talvez rolou um pouquinho de preguiça, ou desinteresse, pelo fato d´eu já ter feito esse discurso por duas vezes. O primeiro foi em 1992 num território isolado próximo a cidade de São Francisco do Conde, na Bahia. Éramos uns 20 pessoas reunidos na casa de uma irmã. Eu nem era Servo Ministerial, mas era o único homem, de um grupo que tinha ido apoiar uma pioneira ativa naquela cidade. Fizemos a Comemoração, de uma forma bastante rudimentar. Mas foi emocionante.

O segundo já foi em uma cidade que faz divisa entre Piauí e Tocantins, mas não lembro do nome. Este foi feito num salão do reino, eu já era servo ministerial, foi mais formal, mas não menos emocionante. 

Talvez por causa desses dois discursos que eu fiz, tenha rolado uma certa arrogância em achar que ouvir o mesmo discurso de outrém, não seja importante. 

Desde sempre aprendemos que a Comemoração da Morte de Cristo é o evento mais importante das Testemunhas de Jeová, e portanto, é considerado imprescindível. Conheço amigos que não se perdoam se perder esse "evento". Uma amiga diz que perder a Comemoração é um pecado imperdoável. 

Como eu vivi muito tempo entre os evangélicos, e eles fazem isso mensalmente, acho que fui afetado por isso, e portanto, não senti remorso por não ter assistido esse ano. 

Claro que vai haver muitas discussões sobre o que é certo ou errado, que o das Testemunhas de Jeová é correto, e os dos evangélicos é errado, mas vou ser bem sincero... todas as vezes que participei da "Ceia do Senhor" na igreja evangélica onde eu trabalhava, eu me sentia próximo de Jesus e de Jeová.

Sempre agradecia pelo sacrifício resgatador de Jesus Cristo, que ao morrer por nós, permitiu o perdão dos meus pecados e a oportunidade de me beneficiar disso e lutar pela vida eterna. 

Tem os irmãos fundamentalistas que vai te dizer que o memorial só serve se for visto entre as Testemunhas de Jeová, na reunião da Comemoração. Eles defendem o padrão, a regra, o ritual, assim como os fariseus defendiam naqueles tempos. Que Jeová tenha misericórdia deles! 

Se você está afastado, ou desassociado, deixa eu te falar. Jesus não disse que o memorial tinha que ser num prédio verde claro ou bege, com o nome de Salão do Reino na fachada, tendo um adesivo "JW.ORG" colado nele. 

Jesus disse simplesmente isso... 

Persistam em fazer isso em memória de mim.” — Lucas 22:19.

Então, se você não assistiu a Comemoração "on line" ou não foi pra nenhum salão do reino, não se preocupe. Você pode fazer isso em casa!

Antes de dormir, coloque um suco, ou qualquer coisa num copo. Pegue um pão no armário. Se não tiver, pode ser um biscoito. Se proste em oração e ore, ore muito. Ore a Deus pedindo perdão, peça perdão pelas suas ações, por seus pensamentos, por sua preguiça em querer voltar a Jeová. Ore pedindo forças, ore pedindo perdão e no fim, agradeça... agradeça muito a Jesus Cristo por ter morrido por você, por nós, e ter nos dado essa oportunidade, de mesmo estando afastado, ser beneficiado por sua benignidade imerecida. 

Jesus não pediu nenhum procedimento padrão ou burocrático. Jesus pediu apenas que você persista em lembrar do seu sacrifício. Jesus pediu apenas que você tivesse consideração pelo seu sacrifício.

Faça isso! Ore muito a Jeová e agradeça em memória de Jesus Cristo. 

E que Jeová nos abençoe e tenha misericórdia de todos nós. 


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

NÃO EXISTEM SIGNOS. ASTROLOGIA É ESPIRITISMO


Certo dia estava na casa de minha irmã carnal - escondido lá no quarto para não contaminar os irmãos, sabecumé, né? - e conversa vai, conversa vem, vi uma delas soltar a seguinte pérola: - "Ah, mas você é assim porque é de Áries. Quem é de Áries é assim e assado..." (sic)

Fiquei aguardando alguém corrigir ou esclarecer, mas não sei se por causa do constrangimento ou não, a irmãzinha saiu pro campo com a certeza de que não só Áries tem certo comportamento, como Escorpião é signo de quem não presta, Virgem é romântico, etc... etc... e tal! Os cristãos gourmetizaram a astrologia?

ASTROLOGIA NÃO É CIÊNCIA

Não confundindo com Astronomia (estudo dos astros), a Astrologia é o estudo da leitura dos astros com o objetivo de decifrar a influência dos astros na vida,  no comportamento e nos acontecimentos das pessoas, estabelecendo-lhe uma característica peculiar, buscando assim, prever o futuro delas. 

Astrologia surgiu há milênios na antiga Babilônia e se espalhou por toda Europa e Ásia por meio dos ciganos, saxões, celtas, mouros, nórdicos e asiáticos, cada um à sua maneira, mas sempre ligada a práticas espíritas. Os leitores de estrelas e adivinho do futuro normalmente gozada da posição de bruxo ou mago dentro de uma comunidade. 

Ela se baseia num Mapa Astral que estabeleceu à base da posição de constelações e planetas, que formam os signos de cada um. Essa constelação, a depender do dia do seu nascimento vai influenciar sua personalidade como o seu futuro. Ocorre que esse Mapa Astral não tem o menor sentido...

MAPA ASTRAL HIPER MEGA SUPER DESATUALIZADA

  • O mapa astral utilizado até hoje pelos astrólogos foi criado há mais de  5 mil anos e de lá pra cá, houve muitas novas descobertas de estrelas e planetas, e rebaixamento de outros, como o caso de Plutão que desde 2006 foi "rebaixado" a estrela.
  • A ciência diz que tirando o calor do Sol e a força gravitacional da Lua, nenhum outro astro do universo possui alguma influência física na Terra, ainda mais sobre a personalidade de alguém ou sobre seu desenvolvimento. 
  • O mapa astral foi feito baseado na ideia de que o sol girava em torno dos planetas. 
  • As constelações são meros desenhos imaginários tirados a partir do ponto de vista de determinada posição. A constelação de Escorpião pode parecer um escorpião de um determinado ponto, mas não existe em outra extremidade do planeta. Justamente por isso, os astrólogos japoneses e chineses utilizam outro mapa astral.
  • Os astrônomos e cientistas descobriram neste século uma constelação do Zodíaco Ofiúco muito depois do surgimento da astrologia, o que deixa muitos deles desconcertados até hoje, pois desfigura o Mapa Astral que eles utilizam. Por acaso você já viu alguém deste signo?
  • Muitas evidências provaram que quando mais de um astrólogo fez uma previsão sobre a mesma pessoa, as informações não batiam, seja na personalidade, seja com relação ao futuro.

SE ISSO NÃO TE CONVENCER... 


São muitas as evidencias cientificas e físicas de que o Mapa Astral é um grande charlatão. Mas se isso ainda não te convencer, e caso você tenha temor a Deus, saiba que essa era uma das práticas que ele detesta e exortou o seu povo a evitar. (Deut. 18:10-12 compare com Is 47:13).

Dar ouvidos a advinhos, astrólogos e bruxos era passível de punição com a morte (Deut. 17:2-5)

Por fim, pergunte-se, se realmente nossa vida e nossa personalidade fosse influenciada pelas estrelas e planetas, será que Deus não teria nos avisado por meio de sua Palavra ou de seus profetas?

Então irmão, mesmo que por brincadeira ou apenas para se sentir "parte do meio" num grupo de discussão entre amigos, evite a fomentar uma prática que Jeová Deus tanto odeia e que só homenageia demônios.


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A VOLTA DOS QUE FORAM...



A volta dos que não foram. Ou a volta dos que foram e não voltaram. Enfim... depois de algum tempo resolvi dar uma olhada nisso aqui. Peço, desde já, desculpas a todos que me mandaram e-mail e não foram respondidos. É que muita, mas muuuuita coisa aconteceu nesses últimos anos. E muita coisa aconteceu na Organização, não é? Admito que ando por fora de muita coisa, pois acabei me afastando (ou eles se afastaram, sei lá) dos meus irmãos e dos amigos que tinha vinculo.

Além disso este blog passou a fugir totalmente do motivo pelo qual eu resolvi mantê-lo. Continuo amando Jeová como único Deus verdadeiro e o único digno de adoração. Mas voltar a Organização deixou de ser muito tempo algo que não almejava tanto. Em partes pelas burocracias e antolhos convenientemente determinados pelo Corpo Governante. Segundo porque num dos piores momentos de minha vida (depressão por 9 meses, tendências suicidas associado a minha auto baixo estima graças a minha TDAH), quem estendeu as mãos foi justamente um pastor evangélico que se tornou um dos meus grandes amigos atualmente. Trabalho ainda hoje em sua igreja, e a despeito de seu sucesso midiático gospel, ainda tenho muita gratidão por muita coisa que ele fez por mim.

Um das coisas que fiz, contudo, não me arrependo foi Teologia na Faculdade Uninter. Toda vez que digo a alguns que estudei teologia, é um horror. “Bebeu? Fornicou? Adulterou? Ta na balada? Ah normal. TEOLOGIA? Ta louco, vai pro inferno, morrer no Armagedom!!!” Testemunhas de Jeová e seus preconceitos.

Curiosamente, aulas acadêmicas de teologia são diferente de tudo aquilo que Testemunha de Jeová, poderia enxergar. Não vou dizer que são essenciais, mas muita coisa que aprendemos ajudaria bastante a entender qual sua posição no contexto religioso mundial. Por exemplo, o livro “O homem em busca de Deus” faria muito mais sentido caso você tivesse uma noção de teologia, especialmente na reformada. O estudo de teologia está mais focado em história do que necessariamente em evangelização ou fundamentalizar uma crença, já que várias linhas são estudadas e apresentadas.

Curiosamente, uma das coisas que mais ouvi dos meus professores no primeiro semestre chegava a ser irônico: Ao estudar Teologia você seguirá dois caminhos, ou montará uma igreja neopentecostal e tirará proveito disso, ou, se tornará ateu. Curiosamente, no meio evangélico, todos os teólogos são exatamente frios e críticos de toda comunidade evangélica atual. São odiados pelos pentecostais e muitas vezes citados como inimigos da igreja.

O problema para um cristão Testemunha de Jeová, contudo, é o risco de ter algumas doutrinas e procedimentos adotados hoje pelo Corpo Governante, que poderia minar sua fé. E isso é realmente um desafio.  Aliás as Testemunhas de Jeová costuma entrar comumente no quarto ou quinto semestre nas aulas de Seitas e Religiões Independentes. Pode parecer ofensivo, mas pra mim, serve até como um elogio, apesar de sermos comparados a outros como Adventistas do Sétimo Dia e Mórmons.

O fato é que a Teologia pode abrir sua mente pra muitos questionamentos, que nem mesmo o Corpo Governante pode, ou querem, explicar. E talvez isso me incomode um pouco! Queria muito ser ateu, duvidar de todas as religiões cristãs, ter a ideia de que nenhuma delas são verdadeiras ou de repente, todas sejam, de alguma forma.  Entretanto, a Teologia me deixa claro, sim, que há um caminho correto a se seguir, e colocando na balança, ainda vejo as Testemunhas de Jeová como únicas a se aproximar do que é correto, apesar de algumas pontas soltas.

Uma vez eu disse a seguinte máxima: “Se a verdade não estiver entre as Testemunhas de Jeová, estamos lascados!”. Depois de dois semestres no curso de Teologia, depois de frequentar duas igrejas evangélicas por quase 04 anos, depois de liderar um ministério de Jovens, de participar de uma Agenda Missionária no interior da Bahia, depois de tanta coisa, não tiro um pingo de nada da máxima que inventei.

Eu não sei como estão vocês... mas eu estou querendo voltar pra casa.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

DESASSOCIAÇÃO: OS DOIS LADOS DA MOEDA


A desassociação, ou 'excomunhão' nas maioria das religiões, é um procedimento comum e já discuti isso aqui numa postagem. Ocorre que de todas as religiões, apenas as Testemunhas de Jeová a executa de fato.

Segundo informações de Betel, são cerca de 40 mil desassociações por ano em todo o Brasil. O processo de desassociação é complexo e costuma ter procedimentos burocráticos  que podem levar até trinta dias, a depender de cada situação. O retorno se dá em média um ano depois da pessoa ser desassociada. 

Nenhuma Testemunha de Jeová foi enganada sobre isso. Todos, antes de batizar, passa por uma bateria de questionamentos para ter certeza de sua decisão.  São batizados quando tem plena consciência de que se forem desassociados perderão o contato com parentes e amigos. 

Em toda minha vida sempre 'desobedeci' a ordem de não falar com desassociados. Mas admito que nunca consegui engolir a história da desassociação... não da desassociação em si, já que é bíblico, mas dos procedimentos que a envolve hoje em dia. Mantinha sim contato com eles e ajudava sempre que fosse possível a retornar à Organização de Jeová. Justamente por não achar amoroso fingir que alguém não existe. E isso me atormentava, afinal, eu estava desobedecendo uma ordem. Então eu pesquisava mais e mais, e cada vez mais eu não concordava justamente por não achar uma base bíblica para o tipo de desassociação que hoje é praticado, onde grande parte do processo não existe na palavra de Deus, mas fora inventado pelo Corpo Governante. 



Se a desassociação fosse tão importante assim para Jeová, esse procedimento deveria ser mais claro e ter orientações específicas na Bíblia. Mas não tem! Não existe nenhuma menção de uma comissão judicativa em toda as escrituras gregas. Não existe nenhuma determinação de regras e procedimentos específicos, empregabilidade e aplicabilidade em cada caso.

Por exemplo: as definições para os cargos de anciãos e servo ministeriais estão bastante claras nas cartas de Paulo. (1 Tim 3:1-10; Tito 1:5-9) Por meio dessas cartas é possível observar muitos procedimentos administrativos de como eram feitas as reuniões nas congregações primitivas.

Por este motivo, perdoe-me Jeová pela comparação se for injusta, mas 96% dos procedimentos da desassociação que ocorrem hoje foram inventados pelo homem, assim como as Leis adicionais incluídas pelos sacerdotes nos dias antes de Jesus vir à Terra.


"DESASSOCIAÇÃO" NO ANTIGO ISRAEL

As coisas eram cabulosas nos dias do antigo Israel. Alguém podia até ser morto por apedrejamento a depender do erro praticado, que incluía blasfêmias, adultério, homicídio e comer sangue. (Num. 15:30,31)

O tempo passou e os judeus criaram regras adicionais que não estavam na Lei Mosaica e só demonstravam sua arrogância e hipocrisia. Já nos dias de Jesus, a história nos mostra que as sinagogas já serviam como tribunais de julgamento que aplicavam até pena de morte, embora, não eram executadas porque o Império Romano impedia.

O Estudo Perspicaz, volume II, na página 87 explica:

"As sinagogas judaicas tinham um sistema de excomunhão, ou de desassociação, de três passos ou três nomes. O primeiro passo era a pena de nid·dúy, de duração relativamente curta, inicialmente de apenas 30 dias. Quem sofria esta pena era proibido de usufruir certos privilégios. Podia ir ao templo, mas ali sofria certas restrições, e todos, fora da sua própria família, tinham ordens de se manter afastados 4 côvados (c. 2 m) dele. O segundo passo era hhé·rem, que significava algo devotado a Deus ou proscrito. Era um julgamento mais severo. O ofensor não podia ensinar, nem ser ensinado, em companhia de outros, nem podia fazer transações comerciais além da compra das necessidades da vida. Todavia, não era totalmente expulso da organização judaica, e havia uma possibilidade de ele voltar. Finalmente, havia sham·mat·táʼ, seu decepamento total da congregação. Alguns acham que as últimas duas formas de excomunhão não tinham diferença entre si."

Alguma semelhança com o que hoje é praticado pelas Comissões Judicativas das Testemunhas de Jeová?

Mas só pra constar, esse sistema de julgamento foi totalmente condenado por Jesus Cristo, uma vez que baseava em julgamento de homens e não de Deus. (João 16:2; compare com Mateus 18:15-17)

Como sabemos Jesus estabeleceu o novo pacto, e embora a Lei fosse uma sombra das coisas vindouras, Jesus reescreveu uma nova Lei baseada no amor e no perdão, extinguindo completamente todos os procedimentos jurídicos da Lei Mosaica, quanto mais, das Leis adicionais inventadas pelos sacerdotes judeus.  (Lucas 22:20; Hebreus 8:13)

DESASSOCIAÇÃO NAS ESCRITURAS GREGAS (NOVO TESTAMENTO)

A primeira exortação a desassociação de um membro da congregação primitiva aconteceu à congregação em Corinto. (1 Cor. 5:1-6)  Parece que a congregação tolerava a presença de um membro que praticava as maiores imoralidades sexuais com a esposa de seu pai, e não achava isso errado. É possível que ele tivesse sido exortado por alguns anciãos, mas persistido no seu erro. Ele não respeitava a congregação e sua prática trazia um vitupério para Jeová perante a comunidade. Paulo diz claramente que ele deveria ser expulso da congregação. 

Mais à frente, aproveitando da situação, ele continua:  

"Eu lhes escrevi na minha carta que parassem de ter convivência com os que praticam imoralidade sexual, não querendo dizer toda a convivência com as pessoas deste mundo que praticam imoralidade sexual, ou com os gananciosos, com os extorsores ou com os idólatras. Nesse caso, vocês teriam realmente de sair do mundo. Mas eu lhes escrevo agora que parem de ter convivência com qualquer um que se chame irmão, mas que pratique imoralidade sexual, ou que seja ganancioso, idólatra, injuriador, beberrão ou extorsor; nem sequer comam com tal homem.  Pois o que eu tenho a ver com o julgamento dos de fora? Não são vocês que julgam os de dentro, ao passo que Deus julga os de fora? Removam do meio de vocês a pessoa má." (1 Cor 5:9-13)

Pra mim há uma situação clara. Se eu tenho dentro da congregação alguém que pratica um erro, que visivelmente demonstra rebeldia e desobediência, obviamente eu não permitirei que essa pessoa continua contaminando outras pessoas e ela será convidada a não pertencer mais a congregação. Se continuar no seu erro e numa arrogancia, é natural que os irmãos sejam exortados a não terem nenhum contato com ele. Isso foi base para alguns casos na congregação primitiva (1 Tim 1:19,20; 3 Joao 9,10)

Mas observem que as Escrituras citam tais casos - observem que todos eram casos drásticos!! - mas não explica quais eram os procedimentos minuciosos para adotar isso.  Nem mesmo os historiadores que são tão "consultados" pelos Corpo Governante, como Flávio Josefo, Tácito Suetônio e Plinio, mencionam em seus escritos como funcionavam o procedimento de expulsão do membro da igreja cristã.

Olhando a grosso modo podemos dizer que era um procedimento óbvio, sem burocracias ou comissões judicativas. O errante era convidado a não mais frequentar a congregação, os irmãos a não mais ter convivência com ele - talvez isso fosse até natural sem precisar de uma regra específica -  até que houvesse um arrependimento. No dia que ele demonstrasse esse arrependimento, os anciãos decidiam se ele podia voltar à congregação.


DESASSOCIAÇÃO NOS DIAS DE HOJE


Hoje em dia a desassociação é uma das marcas registradas das Testemunhas de Jeová. Existe uma lista de procedimentos que ultrapassa mais de 20 páginas como se agir numa Comissão Judicativa. Existe, inclusive, o procedimento que sequer foi citado na Bíblia, chamado de dissociação -  quando o membro decide por livre espontaneidade não ser mais reconhecido como membro das Testemunhas de Jeová.

A desassociação é um ato de expulsão. Ao contrário do que muitos pensam, o desassociado não é uma Testemunha de Jeová em período de punição. Não! Ele não é mais Testemunha de Jeová e é assim, dessa forma, que é anunciado nas congregações.

Como uma ação que é citada apenas en passant pelas cartas de Paulo deu origem a um procedimento judicativo que transborda mais de 30 páginas e que julga o crente por "crimes" que vão desde a pornografia ao adultério e fornicação? Quem somos nós para decidirmos se alguém pode ser considerado por Jeová, como sua Testemunha, ou não?

É muita responsabilidade colocada nas costas de um ancião. Lembra de Davi? Jeová deixou claro para Samuel que apenas Ele pode ver e ouvir o coração dos homens e julgar com justiça. (1 Samuel 16:7) Nós somos imperfeitos. Imagina você tendo que decidir se alguém merece, ou não, o favor de Jeová baseado apenas na situação sem analisar o coração e mente de um errante? Ainda que todos os anciãos membros de uma comissão judicativa fossem psicólogos, ainda assim, não seriam producentes julgar alguém pela causa e efeito.

Em 2007, um relatório interno de Betel enviado aos anciãos mostravam que cerca de 33 mil pessoas foram desassociadas naquele ano. Dessas desassociações, cerca de 8% recorriam à Betel, e 3% eram anulados. Ou seja, no pior dos casos, cerca de 80 pessoas [corrigido] deixaram de ser desassociados injustamente!

"Ah, mas mesmo que ocorra injustiça, o importante é que Jeová sabe o coração e essa pessoa será restaurada". Sim, claro, sabemos disso. Mas até lá estragaram todo emocional de uma pessoa, marginalizando ela da companhia de amigos, e até parentes, sem falar no impacto psicológico de ser visto como uma pária pela congregação. Ser ignorado por alguém, já causa transtornos, imagina ser ignorado por toda uma congregação? Ocasionalmente filtro comentários de "cristãos" que simplesmente crêem que os desassociados são párias e que merecem o destino a que se colocaram.


POR OUTRO LADO

O fato de não concordar com a desassociação praticada atualmente pelas Testemunhas de Jeová, não significa que concorde com qualquer ato de rebeldia, como ações judiciais impetrados por alguns, com o objetivo de forçar os irmãos a ressocializar um desassociado à força. Acredito que essas mudanças virão de cima, no seu devido tempo.(Prov. 4:18)

Como disse no inicio desse texto, nenhuma Testemunha de Jeová foi enganada. Todos sabiam qual era a consequência e quais normas a serem seguidas. Ninguém foi batizado à força. E é baseado nesse princípio que todas as ações contra as Testemunhas de Jeová são perdidas na Justiça Comum.

As Testemunhas de Jeová são respeitadas em todo o mundo e reconhecidas por suas qualidades de organização, amor e respeito aos princípios morais. Por causa disso as Testemunhas de Jeová raramente são envolvidas em casos de escândalos morais, sexuais e políticos. E de fato, quanto aqueles realmente rebeldes que desdenham das normais bíblicas, a desassociação tem ajudado a proteger os irmãos de serem infectados por tal espírito de rebeldia.


RESUMO DA ÓPERA

Por este motivo, desde que me tornei Testemunha de Jeová há uns 17 anos, nunca entendi - à base da minha pesquisa da Bíblia - a desassociação e e por este motivo nunca obedeci. Sempre falei com meus amigos desassociado que eu via que queriam retornar à Organização, aconselhando-os, ajudando-os, as vezes até andando, sim, em atividades recreativas, porque queria deixar claro que ao contrário das 'Leis humanas", Jeová não os tinha abandonado.

Por este motivo mantenho esse blog. Muitos podem me chamar de apóstata, mas enfim, creio que é minha contribuição para ajudar aqueles que são desassociados e não possuem uma ponta de ajuda sequer de ninguém para reencontrar o caminho de volta.



sábado, 15 de abril de 2017

DEUS MANDOU LHE DIZER...


"Fiz uma aliança com Deus: 
que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. 
Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, 
que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer 
tanto para esta vida quanto para o que há de vir"

- Martinho Lutero



Um costume muito comum dentro das igrejas evangélicas, especialmente as pentecostais, são as chamadas Revelações de Deus. Eles fazem cultos, círculos de oração, onde costumeiramente aparece profetas de plantão que te aborda com a famosa "Deus mandou lhe falar..." E tome-lhe profetada e revelação.

Eu namorei por um bom tempo uma garota pentecostal. E curioso que sou, cheguei a acompanhar alguns cultos para corroborar com algumas informações que eu tinha de ouvir falar. Entre transes, discursos superficiais, louvores emocionais, e o reteté, nada disso me incomodou tanto que as tais "revelações de Deus." Por um motivo muito óbvio: é cruel influenciar a vida de alguém de forma irresponsável, uma vez que a própria Bíblia diz que não existem mais revelações e profecias em nossos dias. (1 Corintios 13:8)

Certo dia estava ouvindo o testemunho de uma crente que diz que acabou com o casamento simplesmente porque ouviu de um profeta que Deus mandou dizer que ele não era o homem ideal. Soube de um caso onde um homem deixou o emprego porque teria tido uma revelação de que ali não era um lugar para ele trabalhar. A pessoa está desempregada até hoje e vivendo de favores do que os irmãos podem dar. 

O problema é que parte do pentecostalismo brasileiro sincretizaram a fé miscigenando o cristianismo com práticas da umbanda e candomblé. Nessa perspectiva, em vez de consultar o pai de santo, consulta-se o profeteiro, com o objetivo único de que este lhe diga a vontade de Deus.

NÃO EXISTEM MAIS PROFETAS EM NOSSOS DIAS

A Bíblia tem um tema, que é o Reino de Deus e os benefícios que esse governo trará aos servos de Deus. Tudo dentro da Bíblia teve um propósito que era o de instruir e direcionar os cristãos. Todas as profecias, nos dias de Israel eram direcionados a necessidade do povo de Deus continuar esperando o messias. Elas envolviam a vontade de Deus pro seu povo, e os riscos de se afastarem. Os profetas eram instrumentos de revelação, homens a quem Deus lhes dava a conhecer a sua vontade e a quem Ele autorizou atuar como seus porta-vozes. Eles não davam opinião particular na vida pessoal de ninguém.

O mesmo ocorreu com os profetas nos dias de Jesus. Na congregação de Corinto, por exemplo, os profetas eram homens que tiveram revelações e “entenderam todos os mistérios”. Algumas vezes, a revelação era uma pregação, e em outras era uma diretiva, e em outras ocasiões (como no Apocalipse de João), era uma complexa revelação da mente de Deus que abrangia uma ampla variedade de temas doutrinários, exortativos e escatológicos.

Os profetas cumpriram seu propósito. As escrituras gregas foram estabelecidas por Deus. Depois disso, o apóstolo Paulo foi claro: Dons de profecia seriam eliminados! (1 Cor 13:8-10)

Dentre as Testemunhas de Jeová não existem revelações e nem profecias. Mas pode ser que desassociado, você se sinta inclinado a ouvir amigos ou colegas de trabalho evangélicos que dizem que tem uma revelação para a sua vida. Não permita que sua situação fragilizada se deixe levar por esses falsos profetas.







 PLURIBUS E O PARAÍSO Se você é um seriemaníaco, com certeza já deve conhecer "Plúribus", nova série da Apple+ (mais uma, né?). Se...