Talvez alguns não saibam, mas a presença constante de negros no casting principal de grande produções do cinema, deve-se sobretudo a uma conquista do negro americano nos anos 80. Legisladores do Estado da Califórnia, onde se situam a cidade de Hollywood e os principais estúdios de cinema, aprovaram uma Lei onde em cada produção deveriam se inserir um personagem negro. O que no ínicio parecia ser um estorvo para uma nação com histórico de racismos, acabou por ajudar os produtores a descobrir um filão que faz muito sucesso hoje em dia: filmes feitos para os negros americanos.
O mais interessante, é que apesar de ter um público-alvo, estes filmes acabaram fazendo um sucesso enorme com pessoas de outras etnias e de outros países. Entre várias séries, gostaria de destacar duas que são exibidas no Brasil:
EU, A PATROA E AS CRIANÇAS
Ao contrário do que vemos em nossas novelas e seriados que priorizam a exposição da pobreza dos negros brasileiros, em “Eu, a patroa e as crianças” é possível ver como vive bem a classe média negra dos EUA. Os temas raciais são a menor parte dos assuntos discutidos e o dia-a-dia dos problemas comuns a toda as famílias, como criação dos filhos, orçamento doméstico, conflito de gerações são os assuntos tratados com muito humor e uma boa dose de conselho.
Exibido diariamente no SBT (dublado) e na Sony (legendado)
BOONDOCKS
A série é cômica, mas ao mesmo tempo tem um tom ácido já que mostra duas crianças afro-americanas que ilustram de forma bem curiosa como anda a juventude negra dos EUA. Um é um jovem rapper, metido a gangstar e que idolatra rapper delinqüentes como 50 Cent, Snoop Dogg e até o cantor R-Kelly (num episódio especial sobre o caso de pedofilia). Já o outro, é um idealista, bem informado e crítico da mediocridade intelectual dos afro-americanos.
Lembre-se que apesar de ser um desenho animado, sua temática é adulta. Há a presença do linguajar chulo, e lembre-se que aqui, nada é por acaso. Ao contrário de “My Wife...”, a série aborda o tema racial e cada episódio é uma lição de moral e tenta mostrar que apesar do avanço dos direitos civis nos EUA o preconceito e o racismo ainda são uma realidade em pleno século XXI, e pior, os negros também tem sua parcela de responsabilidade nesse cenário.
Realmente, estes seriados são muito bons! ótimo post!
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