segunda-feira, 26 de outubro de 2020

TRANQUILOS, SAFADOS e DESESPERADOS


Quando você chega na fase dos 40 anos e está solteiro, parece uma praga, mas todos seus amigos e amigas acham que precisam arrumar uma namorada para você. É um tal de "conheço alguém que você vai amar" ou "aquela pessoa é muito boa pra você" que repetem sempre os mesmos clichês de sempre e desembocam em pessoas que normalmente possuem uma coisa em comum - coitadas!: estão carentes ou desesperadas por um relacionamento. 

Mas qual o problema disso? Todos não tem o desejo e sonho de encontrar sua cara metade, aquela pessoa que vai te fazer sentir borboletas no estômago e finalmente viverem felizes para sempre? SIM! Claro. 

Eu acredito que um dia deverá aparecer alguém que removerá do meu coração esse vício atual que tenho pela minha liberdade e privacidade. Mas se um dia isso ocorrer, será de forma natural e eu terei a prerrogativa sobre isso. 

"Ah, André, isso é papo de quem sofreu". Muitas coisas do que acredito hoje advém de relacionamentos frustrados e malfadados? Talvez. Mas esse é não o mote da vida? Aprender com os erros e amadurecer para não cometê-los novamente? 

Não sou a melhor pessoa para dar conselhos amorosos ou matrimoniais. E nem tudo foi ruim. Fui casado por quase seis anos e terminamos da forma mais frustrante possível.  Depois disso tive mais dois relacionamentos sérios. Um deles com uma pessoa especial, que temos um carinho muito grande um com outro e somos amigos até hoje. Depois, um noivado, que também terminou de forma frustrante, quase na mesma época de uma falência financeira e da morte de minha mãe, que me trouxe traumas pesados. Foram longos dois anos de ajuda emocional de amigos, uma psicóloga paciente e alguns remédios relaxantes. 

Mas nem tudo foi frustrante. Tive alguns relacionamentos rápidos na minha vida, muitos deles marcantes e que também são pessoas que cultivo a amizade até hoje. 

Viram? Nem tudo é dor e sofrimento. Tudo é libertação. 

Por isso criei uma ojeriza por relacionamentos superficiais. Sexo a gente encontra fácil se procurar, mas relacionamentos de verdade é como procurar um pérola em alguma ostra no meio do oceano. 

Por isso mesmo estabeleci uma teoria sobre o assunto e vou compartilhar com vocês. Não tem nenhum embasamento científico. É só uma ideia. Concordem, ou não, aí vai ela. Dividirei as pessoas em três grupos: TRANQUILOS, SAFADOS e DESESPERADOS.

O primeiro grupo é o supra sumo do êxtase do auto conhecimento. O Tranquilo está consciente de suas necessidades e desejos. Ama sua liberdade de tomar decisões na vida sem ter que dar satisfações para ninguém. Adora manter sua privacidade e suas loucuras e manias bem distantes dos incomodados. Curte seus hobbys e prazeres. Quando está solitário sabe que seus amigos poderão preencher esse espaço. Raramente estão carentes e quando estão com tesão, bem, percebe que o sexo não é a coisa mais importante na vida e que isso pode ser remediado. O Tranquilo pode até querer alguém ao seu lado, mas espera que isso ocorra de forma natural. E detesta quando alguém tenta fazer isso por ele. 

Os Safados tem muita coisa dos Tranquilos. A única diferença é a forma que lidam com sexo. Idolatram o sexo por tudo e adoram o poder da sedução. Enquanto os Tranquilos possuem o valor da responsabilidade afetiva, o Safado não está nem aí. Ele quer seu corpo, sua mente, sua atenção. Eles querem apenas o prazer e estão disposto até a magoar por isso. Ame-os ou deixem-os, mas se preferir continuar, saibam os riscos. 

E por fim chegamos aos Desesperados. A pessoa desesperada por relacionamento é um perigo. Ela não quer alguém, ela quer estar com alguém, seja ela quem for. Ela não busca alguém em especial, mas por qualquer um que banque a sua carência por relacionamento. 

Um filme nacional que assisti resume bem isso. "Os homens são de marte e é pra lá que eu vou". O filme fez muito sucesso de público, mas não precisa dizer que feministas e mulheres independentes odiaram. E com toda razão. 


A protagonista é Fernanda, uma mulher de 39 anos que está desesperada porque chegará aos 40 solteira! Então ela entra numa jornada de ter que achar um relacionamento a qualquer custo pra surprir essa carência. E assim ela vai conhecendo vários homens - e depois se decepcionando com eles, obviamente - e se frustrando cada vez mais. Até que encontra um homem, e pra variar casa com ele, só para no segundo filme "Minha vida em marte" perceber a besteira que fez e chegar ao ápice do auto conhecimento. Ela finalmente descobre que não precisa de um relacionamento pra ser feliz, e que se isso acontecer, será bem vindo e acontecerá naturalmente.

A pessoa desesperada, quando consegue o objeto de desejo - seja casar ou ter um lar - descobre pouco tempo depois os defeitos que ela não percebeu no momento de deslumbre. Todo mundo sabe que mesmo após anos de namoro, a vida de casado reserva surpresas que põem em risco qualquer casamento. Imagina uma pessoa que nem estava preocupada com isso? O resultado são casamentos desfeitos, corações machucados e textões nos facebook. Porque o foco não era no amor. Não era a pessoa. Era apenas surprir a carência.

No ambiente religioso é pior ainda. Mistura-se a carência com a pressão de líderes religiosos e de "marias futriqueiras" de que você deve casar, casar e casar. E logo! Pressionam meninas de 18 anos a isso, quiçá, mulheres depois dos 30. E assim, seja por carência, sexo ou pressão religiosa, casam de qualquer jeito. E as que estão solteiras, pensam estar numa "competição" da qual se elas também não fizerem o mesmo, serão relegadas. 

"Ao menos que a outra pessoa também seja uma pessoa carente, 

ninguém gosta de se envolver com desesperados por relacionamentos"


O homem, especialmente, gosta do processo de conquista. De saber que a sua amada está com ele, por que é ele. Agora, imagina uma mulher que está com você, mas poderia estar com João, Pedro ou Caetano, porque daria na mesma coisa, uma vez que seu desejo era apenas casar e ter um relacionamento? É igual aquele meme do cara que se achava especial, porque a mulher o chamava de "vida" e depois ele descobre que ela chamava todos os amigos do mesmo jeito. 


"Valorize-se garota. 

A vida é muito mais do que um relacionamento"


Eu falo isso, primeiro por ser homem e estar vivendo justamente essas situações conflitantes e constrangedoras. E também por ver muitas amigas passando por situações que não mereciam estar passando, especialmente sendo tachadas de encalhadas ou solteironas. Vocês são lindas! Vocês são guerreiras. 

Viva a vida e quando menos você perceber, as coisas acontecerão...  

Hoje tenho apenas uma preocupação: curtir a minha vida sem se preocupar com mais ninguém. É meio egoista, um pouco narcisista, mas acreditem, é muito bom! 


PS: Um livro que eu tive a oportunidade de ler, há muito tempo, chama-se "A Bonitona Encalhada" de Laura Henriques. Alguém deu de presente para minha enteada, e eu acabei lendo e me surpreendendo. Uma leitura divertida que serve para mulheres de qualquer estado civil. 


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